O episódio lulista abriu a "glote" do brasileiro: agora todos viramos maniqueistas sem saber que o somos: a primeira corrente quer Lula se tratando no SUS. Decerto é a população que precisa da saude publica, enfiada guela abaixo e sentiu na pele a tal expressão: "esse ai entrou para o sistema." O sistema é o labirinto do Minotauro: quem entra não sai tão fácil.
Outra corrente preconiza que aqueles que querem Lula no SUS são hipocritas: estão mandando o ex-presidente fazer o que nem eles fariam se tivessem dinheiro. Odeio meio-termo, mas concordo com os dois lados.
Não creio que os primeiros estão fazendo piada tosca com a tragédia de alguém. Na verdade, se assim o fosse, teriam lançado campanha para José de Alencar também ter se tratado no Santa Casa em vez do Sírio LIbanês. O que eu penso é que o que o pessoal que entrou para o sistema quer é um último grito de ajuda de Lula. José de Alencar nunca teve tanto crédito com a população. O povo nunca achou que o cara iria nos salvar.Portanto, nem se dignou a fazer campanha pró-Sus para ele. Lula ainda pode, mesmo na sua tragédia ajudar a gente. Acho que ninguém quer que Lula sinta na pele as mazelas "susianas", mas que ele ligue para Dilma e peça, com a mão de quatro dedos em riste: "Companheira, estou convencido de que nada será digno o bastante se você não melhorar nosso sistema. Agora eu vi, Dilma. Eu senti que precisamos melhorar". Quando o pessoal do SUS pede para o Lula entrar no sistema, não está querendo tripudiar da tragédia. Está querendo que os grandes olhem e orem por aqueles que não podem pagar o Sirio Libanês.
Da mesma forma, concordo com aqueles que dizem que é hipocrita esse tipo de campanha. É obvio que se eu tivesse cem mil reais no banco iria tratar no "sistema único particular. Todos faríamos. Mas os intelectuais como Dimenstein deveriam compreender o que move essa aparente falta de "empatia" com a doença de Lula não é bestialidade. É desamparo. O buraco é mais embaixo. É um outro tipo de elemento cancerígeno causado por roubalheira política. É um protesto contra a política corrupta e a falta de sensibilidade do grande escalão.
Para não ficar em cima do muro, vou deixar minha opinião: eu quero que Lula se recupere no Sírio Libanês e depois de convalescer faça campanha para um SUS Plus. Afinal, Lula é brasileiro, e não desiste nunca. E eu acho que nem nós deveríamos desistir de berrar por nós mesmos. Afinal, câncer de laringe só é causado por tabaco e álcool. Não por protestos.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
Personagem de rua
À sombra da praça
Às 15h30 da tarde a Praça da Matriz não é lugar de criança. Ocupam brinquedos e bancos prostitutas que negociam o prazer, sujeitos que abraçam garrafas de cachaça, dependentes químicos ávidos pela nicótica, álcool e a pedra madita, crack. A praça, em frente ao colégio, não acolhe qualquer estudante. Não há um fio de vida jovem saudável nela. Defronte está o setor de inteligência da Brigada Militar. Policiamento ostensivo. O nome não ostenta qualquer confronto. Policiais militares cruzam o local, conduzindo-se altaneiros fora da praça, nem com o “rabo” do olho notam os personagens locais. Disfarçam. Ali, Júlia Teresinha Semler (40) disfarça o tom da vida. Em latim, o nome de batismo indica alguém cheio de energia. Não é assim com Julia, a “Neca” da Praça da Matriz. Há algum tempo, deixou de morar na rua. O marido e a irmã lhe resgataram dos becos e do coreto da praça para abrigá-la em uma casa no Bairro Hidráulica. Foi, mas não cessou de fumar a pedra da ilusão. O crack a atormenta há quatro anos. “Eu penso o que está havendo com minha vida. Eu não tenho forças, não consigo ir para frente”. Neca chora. Conhecidos que avistam a cena do outro lado da praça, gritam: “Não te abala, Neca.” Mas Neca, pensando ser sarcasmo, porque na vida de rua nada é de verdade, rebate sem pensar: “Vai, meu”. O verde, a sombra das árvores, a imagem de certa forma limpa e aprazível da natureza lhe da esperança. É ali que espera por uma internação. “Estou para me internar, estou esperando vaga na fazenda”. Quando Neca fala, uma janela se abre nos lábios. Pelo menos quatro dentes sumiram do dia para noite. Ela não sabe em que momento os perdeu. “No outro dia levantei, fui olhar na boca e os dentes não estacam mais. A ponte caiu porque eu estava muito drogada.” Neca não furta, pede. Neca não se mistura com os dependentes da praça ou da ciclovia. Mantém sua privacidade no anonimato da área de lazer.
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Publicado em setembro no jornal O Informativo do Vale |
Há tempo não conversa com as duas filhas que estão sob os cuidados de uma instituição. Sem dente e sem documento, reza todo o dia para deus lhe ajudar. Neca tem medo que o crack seque seus pulmões. “Eu estou esperando (uma vaga). Uma hora eu vou morrer.” Não faz o estereótipo do viciado abusado, amoral e sujo. É desleixada, mas educada. “Aqui todo mundo me adora”. E se apega a esse fio de orgulho como se fosse a ultima autoestima de sua vida. Na praça, ela permanece do meio-dia às 17h. Diz que se ficar em casa pensa bobagem. Ali, pelo menos durante cinco horas, seus pensamentos não sejam tão dolorosos. Mas ela sabe que isso também é ilusão, como também o é o prazer ilusório da pedra. Percebe que precisa de mãos que lhe agarrem e se agarra em qualquer estranho que possa representar auxílio. “Se vocês conseguirem uma internação para mim...”
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Duas capangas grudentas
"Paro e me apoio na balaustrada e meus pensamentos se tornam sombrios. É então que as duas me encontram. A depressão pela esquerda, a solidão pela direita. Sequer precisam mostrar seus distintivos. Pergunto a elas?
- Como vocês me encontraram aqui?
A depressão, sempre bancando a esperta, diz:
- Como assim, você nao está feliz em nos ver?
A solidão, a mais sensível das duas, diz:
- Desculpe, mas talvez eu precise seguir a senhora durante a viagem. É minha missão.
Então elas me revistam. Esvaziam meus bolsos de qualquer alegria que eu tivesse carregado até ali. A depressão chega a confiscar minha identidade, sempre faz isso. A solidão começa a me interrogar. Pergunta se eu tenho algum motivo de estar feliz. Essas duas capangas continuam a me seguir.
- "Não é justo vocês virem aqui. Já paguei vocês", digo.
*** Trecho que me marcou talvez porque eu me identifiquei profundamente com eles. Essas duas déspotas, sempre reinaram magistralmente sobre meu Nilo vestido de eu. D&S, quem dera fossem tão estilosas quanto Dolce e Gabbana. A depressão sempre come do meu feijão e me faz ingerir tabletes de chocolate com ela. A solidão se planta no meu quarto como uma deusa a quem eu tenho de servir. Malvadas, elas aparecem com tapete vermelho e holofotes luminosos no livro: Comer, Rezar, Amar.
- Como vocês me encontraram aqui?
A depressão, sempre bancando a esperta, diz:
- Como assim, você nao está feliz em nos ver?
A solidão, a mais sensível das duas, diz:
- Desculpe, mas talvez eu precise seguir a senhora durante a viagem. É minha missão.
Então elas me revistam. Esvaziam meus bolsos de qualquer alegria que eu tivesse carregado até ali. A depressão chega a confiscar minha identidade, sempre faz isso. A solidão começa a me interrogar. Pergunta se eu tenho algum motivo de estar feliz. Essas duas capangas continuam a me seguir.
- "Não é justo vocês virem aqui. Já paguei vocês", digo.
A depressão acomoda-se na minha cadeira preferida, acende um charuto, enchendo o aposento com sua fumaça desagradável. A solidão deita-se na minha cama e se cobre com as cobertas. Estou sentindo que vai me obrigar a dormir com ela de novo esta noite.
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Verbos que interagem com a depressão e a solidão |
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
A derrota no pódium
Estou me obrigando a escrever em um exercício para calçar as sandálias da humildade. Nada que me faça bem, mas é que é a primazia de uma alma sedenta por algum tipo de evolução. Em 48 horas eu vi meu mundo de escritora promissora ruir. Eu que tanto me achei este ano. Eu que me sentia uma peróla perdida no Vale ainda nao descoberta. Eu que acreditava que deveria ter adesivos com meu rosto nos veículos do jornal, a exemplo de Martha Medeiros: Leia hoje, Andreia Rabaiolli!.Eu sou o que? Uma jornalista sufocada pela propria jactância. A frustração roeu meu estômago ontem quando descobri que nao havia conquistado o premio de reportagem dos jornais diários gaúchos. Ôrra, não ganho nem no pampa. A frustração me comeu toda hoje quando descobri que não tive vez no concurso da Alivat. Ôrra, não ganho nem no Vale. Uma raiva me comeu. Raiva de mim mesma, de nao ser a melhor. De estar aquém do que eu achava. Eu perdi e não coloco a culpa na incapacidade de os jurados me compreenderem, de o outro texto ter menos qualidade, de que o assunto estava fora do contexto. Eu perdi e o erro é meu e hoje é dia de vitimizar. Como eu gozo o meu momento de vítima. Há um prazer, uma profunda fruição no fato de eu me dar dó. A minha pena neste momento é a pena que me redime.
Meu cio emarfanhado de eu. Meu mio. Meu unico som nesta sexta-feira que evoca balada, mas que para mim nada tem além de uma nota fracassada. Meu flanco desguarnecido se chama rejeição. Não Freud, não me dê conselhos acerca disso porque sou absolutamente irracional, criança e birrenta quando se trata de aprovar ou rejeitar. Eu odeio rejeiçao em qualquer instância e qualquer plano. E tudo eu vejo como uma rejeiçao pessoal. Nao ganhei? fui rejeitada. Não tirei o segundo lugar? Nem estou ai. Segunda opção eu nunca quis ser. Não me chamem para ficar no podium ao lado do primeiro lugar. Se nao posso segurar a taça nao quero servir de chuveiro para a champanhe do senhor vencedor. Irredutivelmente ridicula, sigo as palavras de Airton Senna: o segundo colocado é o primeiro perdedor. Sou alpha ou nao sou nada e sendo nada vim de onde sempre tive de estar. Trágica? Sim, tragicômica. Hoje é meu dia de fazer tempestade no seu copo de água. Mas para você, é so um copo de água, para mim é tempestado e é bom que seja grande. Porque gosto de vitória até nas derrotas. Elas também devem ser de boa envergadura.
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Eu: tabula rasa |
Eu devia aprender com a derrota. Mas ela se torna tão grandiosa que eu viro sua inimiga infima. Eu posso conviver com a solidão mas nao consigo derrotar o temor da rejeição. Não namoro porque tenho medo de ser abandonada. Não lanço olhares de flerte porque temo não ser correspondida. Não faço teste em televisão porque tenho horror a ser recusada. Arriscar nada é arriscar tudo. Não arrisco nada porque tenho esperança de que um dia, quando eu arriscar, vou ganhar tudo. Uma doce ilusão que vou protelando no dia-a-dia para viver na minha casa grande, dentro da redoma que me protege da rejeição. Dentro da masmorra que me livra da ação. Dentro da minha perda, do meu pior vício, do meu sonho sem quinhão. É o meu porão, é a minha história e a minha derrota e ela merece ser contada por mim. Com todas as palavras que eu utilizaria para reverenciar a minha vitória. A minha derrota é só minha e eu a celebro no podium do meu fracasso. Um texto sem acento, no qual me assento.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
O toque da graxa
Um palco invisível, o Centro da cidade é a ribalta de personagens que latejam dentro dele, em paredes que não existem
Tormento e labuta, sonhos e luta. O Centro abriga 800 pessoas por quilômetro quadrado, mas a multidão está só na presença de si mesma. Enquanto a luz do sol banha a cidade, ruídos, descargas, buzinas, passos apressados, a diversidade está estampada num mosaico que ninguém vê: mas há personagens que evocam curiosidade, dor, comiseração ou sensação de identificação.
Julio Cesar da Cruz Gonçalves não é o Rei Midas, aquele que transforma tudo em ouro a cada toque. Mas possui o toque da graxa. Com 24 anos e uma educação que veio da rua - porque Julinho sabe: “Vivendo na rua a gente aprende um monte de coisa, tanto boas quanto ruins” - o engraxate com estampa de skatista cresce na profissão que elegeu ainda aos sete anos. Esfregando sapatos e botas, Julinho junta R$ 1,2 mil ao mês. “Tiro bem engraxando. Mais do que emprego fixo.” Junta-se ao salário o esforço com capinas, roçadas e lavagem de carros. Mas como todo empreendedor tem o carro-chefe do seu negócio, é na graxa que Julinho tem seu maior quinhão.
Julinho aboleta-se antes das 7h na Padaria Suíça. Fica aquartelado ali o dia inteiro esperando a clientela. E não espera muito. Nos primeiros minutos, começam a aparecer seus fregueses: médicos, advogados, empresários que antes de rumar ao escritório vão fazer o café-da-manhã. Julinho percebe a profissão do freguês pelo pé. “Se o sapato está bem ajeitado é um advogado, doutor, promotor ou juiz. Aquele que tem um mais velho é porque não tem condições de comprar sapato toda hora.” O preço é o mesmo para pobres ou para ricos: R$ 2,5 a engraxadinha. Para mulheres, geralmente se eleva. Explica-se: o gênero feminino adora botas com canos altos. Como necessita de mais cera, o valor dobra. Elas preferem a cor marrom, eles optam pelo preto. Sua freguesia se reveza entre esses dois tons. “Agora está saindo muito o incolor, para botas claras.” É na psicologia do sapato que Julinho tira o sustento da sua família. Com a labuta, sustenta mulher, filho e construiu a casa no Bairro Santo Antônio. É fácil pagar a Julinho. Mesmo quando não lustra calçados ele recebe moedas: R$ 1 ou R$ 2, gratuitos. Abre a mão e estende o braço: o ruído dos níqueis, acompanhado de um leve agradecimento: “muito obrigado”. No fim do ano, Julinho planeja comprar seu primeiro veículo. Poupa no banco para adquirir um Celta. “Estou fazendo a Carteira de Habilitação.”
No verão o movimento diminui porque as mulheres trocam as botas pelas sandálias. Mas o fato não chega a afetar o negócio de Julinho, que fideliza a clientela modernizando os métodos de engraxe. “Eu uso escova de dente. Passo nos cantos do calçado, lustrando parelho.”
Do promotor ao cobrador, a vida comum passa por cima da caixa de sapato do engraxate. É nessas idas e vindas que ele conquistou o carinho dos clientes da padaria. E dos donos também. Julinho tem a preferência do ponto. O estabelecimento é praticamente seu escritório a céu aberto. “Enquanto fico aqui, os moleques não incomodam. Nem os pedintes.”
Dono do pedaço, o rapaz se consolida no mercado. Diz que a “profissão” está em extinção. “Quando comecei, tinha mais de 20 engraxates. Alguns pararam, outros foram presos e tem aqueles que acham feio.” Para Julinho, “feiúra” é uma palavra apagada do seu vocabulário de Ensino Fundamental. Ainda mais se a função lhe traz apreço. O sol ainda não se põe quando o engraxate encerra as atividades, às 17h. Guarda a caixa em um local secreto e ruma para o supermercado. É hora de comprar mantimentos e levar para a família, no Santo Antônio. Embarca no ônibus com o itinerário traçado para o dia seguinte: voltar à padaria, para cuidar dos calçados de doutores e senhoras.
Julinho: Doutores e advogados engraxam pela manhã
Minicontos
*** Observava o chão. Caminhava lentamente contando as pedras grês em seu caminho. Estacou de supetão. Agachou-se. Retirou solenemente a haste do vegetal que irrompera pela fenda da pavimentação. Sorriu. Apertou o inço como se fosse uma flor de lótus que nasce da lama com imaculadas pétalas. Alargou o sorriso enquanto girava o corpo ao retornar ao gabinete.
- "Mande cancelar o asfalto. A avenida faremos de basalto!"
Reelegeu-se quatro anos depois. Seu maior "santinho" foram as folhas caídas ao chão.
--------------------------------------
**** A menina pediu à mãe que lhe comprasse um pinheirinho. Percebeu que para se sentir adulta, era preciso começar a regar seu jardinzinho.
---------------------------
***** Chico, o sagui, fazia gestos imitando o guri.
Tato, a tartaruga, "lagarteava" ao sol da manhã.
Mas eram os três veados do mato que, ariscos, movimentavam o pedaço.
A arca não era de madeira, não foi feita para o dilúvio. Era em área caseira.Tampouco Noé era um bicho do mato. Moderno, comandava o experimento como um instrumento, um bisturi.
Schunemann. Destino até no nome. O homem que afasta. Que evita a destruição nefasta. Médico do câncer da mata.
- "Mande cancelar o asfalto. A avenida faremos de basalto!"
Reelegeu-se quatro anos depois. Seu maior "santinho" foram as folhas caídas ao chão.
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**** A menina pediu à mãe que lhe comprasse um pinheirinho. Percebeu que para se sentir adulta, era preciso começar a regar seu jardinzinho.
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***** Chico, o sagui, fazia gestos imitando o guri.
Tato, a tartaruga, "lagarteava" ao sol da manhã.
Mas eram os três veados do mato que, ariscos, movimentavam o pedaço.
A arca não era de madeira, não foi feita para o dilúvio. Era em área caseira.Tampouco Noé era um bicho do mato. Moderno, comandava o experimento como um instrumento, um bisturi.
Schunemann. Destino até no nome. O homem que afasta. Que evita a destruição nefasta. Médico do câncer da mata.
sábado, 3 de setembro de 2011
Matemático em vigília desarma o tempo
Uma pesquisa de aula resultou em uma estatística que se transformou em um sistema de alerta para enchentes. O Vale escuta Jasper mais do que órgãos oficiais. Seu telefone toca sempre que o tempo mostra seu temperamento mais forte
Na infância todos os sonhos estão distantes e as tragédias são amenizadas pelo raciocínio infantil e, lógico de que tudo passa. Na adolescência de Edelbert Jasper (56), a invasão do rio sobre as estradas de Colinas – cidade de 2,6 mil habitantes no Vale do Taquari – era evidência de que não haveria aula. Ele então se regozijava por poder ficar em casa.
Na maturidade, aos 56 anos, o matemático Jasper sabe: o rio é temperamental e as tragédias se sucedem sem o olhar vigilante do homem. Mais de meio século de observação comprovando a oscilação da natureza lhe rende o título de “Homem das Águas”. Não há um certificado que comprove a honraria, mas as previsões certeiras de Jasper – de que quando o rio se eleva até a cota 24 haverá enchente na cidade - se espalham à boca pequena pelo rincão.
O Rio Taquari dá vida a um vale de 320 mil habitantes. Sempre esteve no foco de visão de Jasper, mesmo sem querer. O garoto que vibrava com as cheias na época de estudante se tornou universitário – e fez uma conexão do rio com os números. Bancário envolvido com a comunidade, meditava sobre as enxurradas enquanto finalizava a faculdade. Intrigava-o a invasão das águas no ginásio de esportes, no salão e nas casas sem que alguém pudesse dar um alerta em um espaço de tempo suficiente para impedir a destruição.
Lembranças de 22 anos irrompe em sua mente: “Escutei pessoas gritando apavoradas porque elas não sabiam que a água chegaria”. Uma vã tentativa de fugir de uma cheia que ninguém avisou que viria.
Há mais estatística na natureza do que supunha Jasper na época. Ele descobriria sete anos depois dessa enchente que seu olho salvaria os bens de muita gente, mas antes, enfrentaria um período de ceticismo.
Jasper desenvolveu um sistema de alerta que se fortaleceu como o socorro da região. A ideia ganhou forma na faculdade de Matemática. Para receber avaliação em um trabalho em Estatística, Jasper embarcou no mundo dos cálculos. Escolheu o rio e seu enigma para decifrar os miasmas das cheias. Escrutinou o tempo de 1977 a 1997 e em uma linha de tempo de 20 anos, relacionou a quantidade de chuva com a cota do rio. Comparou a chuva em três cidades-chaves – Vacaria, Passo Fundo e Lagoa Vermelha. Com base no volume que caía nesses municípios, descobriu o número mágico – 70 – que representaria precaução ou destruição. “Descobri que a partir da média de chuva de 70 milímetros em toda bacia do rio Taquari-Antas, a cheia pode acontecer.” Jasper celebrou a descoberta de uma forma muito própria. Nos períodos chuvosos, começou a interagir com os ribeirinhos: “Vamos sair de casa porque a chuva está chegando e o rio vai invadir.”
Uma voz no trovejar do tempo. A voz de um homem contra um rio que estava longe de sair do leito. Como acreditar? A voz murmurava o aviso nas casas próximas ao campo de futebol, área mais baixa de Colinas. A voz ia até ao homem da oficina, batia na loja ao lado. A voz ligava para o prefeito. Mas a cidade tinha seu próprio sistema de controle. A voz era inaudível.
Mas enquanto a tempestade combalia o agricultor, o tempo cronológico favoreceu o matemático. Com o tempo, os habitantes começaram a acreditar.
Na cadeira de Estatística, pela análise do comportamento das enchentes, Jasper recebeu nota 9,5. Talvez hoje o mestre o avaliasse como tarefa nota dez, diante do efeito de sua pesquisa. Antes o Vale conseguia antever inundações em seis horas. Os cálculos e observações de Jasper anteciparam as previsões em até 30 horas. Assim, o povo ribeirinho ganhou um dia a mais para retirar os móveis de casa e ser alojado pela Defesa Civil em abrigos.
Graças a uma cadeira de Estatística, ele virou vigilante do Vale. Os números o levaram a “chefe” do seu município. Em 2000, venceu as eleições municipais com 56,89% dos votos e reeditou a vitória em 2004, com 53, 67%. Mas seu número favorito sempre foi o 3. É uma predileção mística, que faz Jaspe emudecer.
Durante oito anos, o matemático acumulou as funções de prefeito e homem do tempo. Seu telefone é de fácil acesso. Nenhum contribuinte de sua cidade se intimidava em ligar, mesmo tarde, para fazer a pergunta recorrente: “Prefeito, até quanto o rio vai subir?”.
O rio é cheio de mistérios porque a vida é líquida e o homem, um ser que jorra emoção. A ciência da estatística é exata, mas da água não. Por isso, além dos números, o conhecimento empírico é o grande parceiro de Jasper. Tanto tempo vendo os pingos de chuvas se transformarem em lagoas e dissolver vidas lhe reforçou a intuição. Água e números, uma previsão que fez Jasper salvar dez mil pares de sapatos certa feita. Tudo porque o homem da loja acreditou no matemático.
A ciência de Jasper é humanizada. A enchente tem nome. Se atingir a cota 27, inundará a oficina do Cláudio. Se chegar a 39, afetará a loja da curva do município. Se o rio começar a subir, o telefone não para. Na enchente de julho, 40 anônimos buscavam sua orientação, queriam saber as cotas em Lajeado, Estrela e Colinas. “Eu não conheço as pessoas. Mas há algumas que sempre ligam.” Jasper aprendeu a identificar o som. De Estrela, a voz familiar de uma senhora sem nome lhe diz que está cotado para meteorologista do povo. “Me diga, seu Jasper, eu tenho que ir para casa?” Jasper então pede a cota em que sua casa está, verifica nas suas estatísticas e avisa: “Dá um jeito de ir para casa e tirar suas coisas. A enchente vem vindo.”
A alguns anos, Jasper importou uma pequena estação meterológica da Suécia. O equipamento portátil mostra a velocidade e direção do vento, intensidade da chuva, temperaturas. O pluviômetro mede a quantidade da chuva e uma biruta relata a direção do vento. Mas é a observação no rio e no tempo que consegue uma tarefa de Noé: sem arca, salva o povo ribeirinho. Jamais lhe passou pela cabeça estivesse exercendo um tipo de trabalho voluntário. O tempo, voluntarioso, evoca em Jasper outro tipo de sentimento: paixão.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
A Independência verdadeira
Pertinho da Independência do Brasil, retirei da biblioteca pública um livro que circunstancialmente, se revelou uma surpresa. Na fluida narrativa de Laurentino Gomes leio a real situação da Proclamação da Independência, muito mais prosaica e brasileira do que o contexto glamorouso com o qual estamos acostumados nos livros de História. E muito mais divertida também. Literalmente, morri de rir com as cenas que se desenrolaram nas páginas e ao contar aos meus colegas, gargalhadas corriam soltas. A princípio, ninguém acredita que tenha sido realmente assim. Mas eu sempre digo que a realidade tem mais cenas de ficção do que jamais a ficção teria.
Então para enfatizar, o livro foi baseado em um trabalho de pesquisa sério, cujo trabalho é corroborado por cartas trocadas na época, em 1822.
Dom Pedro I fez a independencia com apenas 23 anos. No dia da proclamação, a natureza fisiológica do regente foi mais forte do que a vontade de liberdade. Antes de dar o brado da absolvição, o nobre passou por poucas e boas. Uma dor de barriga o dominava durante todo o caminho. Ao que tudo indica, o principe estaria com diarreia e durante o trecho ate as margens do Ipiranga, teve que se esgueirar várias vezes pela relva, para "prover-se" dos matagais. Em dado momento, parou em um estábulo onde foi acudido por uma dona de casa que lhe fez um chá que lhe acalmou o estômago. Então ele, um padre, um maçom, e alguns criados percorreram a colina do Ipiranga. Dom Pedro possuia uma egua gateada em vez daquele cavalo soberbo e branco ao qual estamos acostumados visualizar nas pinturas épicas. A mula não tinha nenhum charme, porém forte e confiável, bastante boa para subir a ladeira que deixava a todos atordoados.
O grupo de tropeiro era muito jovem, a maioria tinha 23, 24 anos. Próximo ao rio Ipiranga, chegaram notícias de Portugal: de que o princípe deveria voltar porque ele não era mais regente, e sim um mero "delegado". Os portugueses, indignados com o jovem rebelde e abrasileirado, tiraram dele os poderes que antes lhe delegaram. O rapazinho deveria voltar a Europa e se educar e não ficar por aí esperneando pela independencia.
Dom Pedro, irritado com a petulância, perguntou ao padre Belchior:
- E agora padre?
O padre respondeu prontamente:
- Declara a independência, alteza!
(Foi com outras palavras, mas quase isso)
Dom Pedro caminhou alguns passos, de repente estacou no meio da estrada e proclamou o Brasil separado de Portugal. Não houve o grito Independência ou Morte. O famoso brado só aconteceu mais tarde e consta na historia como "segundo brado do Ipiranga'. Aconteceu minutos depois do primeiro. Com voz forte, Dom Pedro declara: Independência ou Morte!
E depois disso o Brasil precisou pegar dinheiro emprestado dos outros países para se equipar com armas, cavalos, navios a fim de enfrentar Portugal. Eis a origem da nossa dívida externa. Brasil, um país que nasceu falido! Não faliu porque com 200 milhões de brasileiros, conseguiu dinheiro suficiente para bancar os 76 impostos que vigoram na pátria em que Dom João (pai de Dom Pedro), raspou os cofres ao voltar para a Europa. Não faliu porque tem gente que aposta que nossa pátria de chuteiras pode corcovear no segundo tempo. Não faliu porque somos brasileiros e não desistimos nunca (segundo Lula)....
E ainda assim podemos dar certo. Temos o jeitinho...
Então para enfatizar, o livro foi baseado em um trabalho de pesquisa sério, cujo trabalho é corroborado por cartas trocadas na época, em 1822.
Dom Pedro I fez a independencia com apenas 23 anos. No dia da proclamação, a natureza fisiológica do regente foi mais forte do que a vontade de liberdade. Antes de dar o brado da absolvição, o nobre passou por poucas e boas. Uma dor de barriga o dominava durante todo o caminho. Ao que tudo indica, o principe estaria com diarreia e durante o trecho ate as margens do Ipiranga, teve que se esgueirar várias vezes pela relva, para "prover-se" dos matagais. Em dado momento, parou em um estábulo onde foi acudido por uma dona de casa que lhe fez um chá que lhe acalmou o estômago. Então ele, um padre, um maçom, e alguns criados percorreram a colina do Ipiranga. Dom Pedro possuia uma egua gateada em vez daquele cavalo soberbo e branco ao qual estamos acostumados visualizar nas pinturas épicas. A mula não tinha nenhum charme, porém forte e confiável, bastante boa para subir a ladeira que deixava a todos atordoados.
O grupo de tropeiro era muito jovem, a maioria tinha 23, 24 anos. Próximo ao rio Ipiranga, chegaram notícias de Portugal: de que o princípe deveria voltar porque ele não era mais regente, e sim um mero "delegado". Os portugueses, indignados com o jovem rebelde e abrasileirado, tiraram dele os poderes que antes lhe delegaram. O rapazinho deveria voltar a Europa e se educar e não ficar por aí esperneando pela independencia.
Dom Pedro, irritado com a petulância, perguntou ao padre Belchior:
- E agora padre?
O padre respondeu prontamente:
- Declara a independência, alteza!
(Foi com outras palavras, mas quase isso)
Dom Pedro caminhou alguns passos, de repente estacou no meio da estrada e proclamou o Brasil separado de Portugal. Não houve o grito Independência ou Morte. O famoso brado só aconteceu mais tarde e consta na historia como "segundo brado do Ipiranga'. Aconteceu minutos depois do primeiro. Com voz forte, Dom Pedro declara: Independência ou Morte!
E depois disso o Brasil precisou pegar dinheiro emprestado dos outros países para se equipar com armas, cavalos, navios a fim de enfrentar Portugal. Eis a origem da nossa dívida externa. Brasil, um país que nasceu falido! Não faliu porque com 200 milhões de brasileiros, conseguiu dinheiro suficiente para bancar os 76 impostos que vigoram na pátria em que Dom João (pai de Dom Pedro), raspou os cofres ao voltar para a Europa. Não faliu porque tem gente que aposta que nossa pátria de chuteiras pode corcovear no segundo tempo. Não faliu porque somos brasileiros e não desistimos nunca (segundo Lula)....
E ainda assim podemos dar certo. Temos o jeitinho...
domingo, 21 de agosto de 2011
Sentindo um assalto
Eram 18h30 de uma sexta-feira fria. Havia acabado de sair da redação pois durante o dia, trabalhara na luta de Brizola e os 50 anos da Legalidade. O dia em que um taura macho enfrentou os generais. Saíra do reduto jornalístico com a sensação de dever cumprido, sem saber que dois minutos após, um outro dever estaria em minha frente. O dever de sentir o que passa uma vítima de assalto.
Acabara de colocar a mão no iogurte da geladeira quando ouço uma voz fraca: "E um assalto, é um assalto, não façam movimentos." Dois homens encapuzados protagonistas do ato. Fixei os olhos em um durante alguns segundos, pensando ser brincadeira. Olhei a arma, era lustrosa demais. Parecia leve demais. E certamente pela frouxidão da voz de comando, ERA UMA BRINCANDEIRA. Mas não era porque logo após eles tentavam coagir: "Vamos matar um. Vamos matar um."
Percebi que passava por um verdadeiro assalto. Sem pensar, agachei-me. Meu objetivo era jogar a bolsa no chão e pegar a chave do carro e os documentos. Sabia que a falta de carta de motorista, identidade, cartões, me daria uma dor de cabeça danada. Não deu tempo. O bodoso veio atrás da prateleira ao meu lado me intimar. "Larga, larga". Tomou-me a bolsa vermelha com toda minha vida dentro. Estou sem identidade. Nunca tive antes, sempre me achei meio errante. Mas agora não posso provar que eu sou eu. E isso vai me dar um trabalhão. Estou sem identidade, sem Sicredi, sem Refeisul, sem Unimed, sem Carteira de Habilitação, sem CPF, e sem inspiração pra falar desse mundo injusto e desolador.
Levaram a chave do meu carro. Eu não tinha copia em casa. A noite, tivemos de achar um chaveiro que se dispussesse a levar o carro prá casa dele e fazer "miolos" novos. Trocar todos os segredos do carro. Todo esse trabalhão por dois minutos de assalto.
No outro dia, tive de ir a polícia fazer registro. Não tinha um tostão para pagar nem o ônibus porque afinal minha carteira fora levada (tinha uns reais dentro) e meu cartão de credito também. Fui a pé, sem bolsa e sem nada. Me sentia invisível, eu não tinha tiracolo, parece que estave desanexada do mundo. No caminho a policia, entrei em duas lojas para comprar uma bolsa sem dinheiro e sem documento. Explicara que havia sido assaltada e que quando o banco restabelecesse o cartão eu pagaria. Queria fazer no crédito. Mas as lojas so trabalhavam com cartão.
Foi um assalto fútil. Um assaltinho, nem tomou grandes proporções para valer uma cronica, diante de tantos assaltos com mortes que a gente percebe na imprensa. Mas foi meu assalto. Foi o assalto que me tornou invisível perante a sociedade. Foi um assalto que me tornou invisível perante mim. Caminhado sem lenço e sem documento até o Centro, para bloquear cartões, ir na CDL e outras providências, lembrei-me dos mendigos que habitam na Praça da Matriz. Muitos deles me disseram que já não tinha mais documentos, eu então me dei conta de o quao impactante é viver sem noção de origem ou referencia. Um paria social.
Consegui comprar uma bolsa na terceria loja em que eu tinha crediário. Mesmo com crediário, a lojista teve de pedir permissão a gerente, se poderia fazer esse tipo de negociação. Ou seja, quando tu é vítima, tu fica ainda mais vítima das coisas que te cercam. Porque em situação normal, seria so eu pegar o artigo e levar ao caixa, já que a loja tinha todas as minhas informações e eu so pagaria um mês depois. Mas como fui vítima e estava sem nada, ela ainda tinha de pedir permissão. Isso me deu tanta raiva quanto eu tive dos assaltantes.
Fui pra casa com a bolsa vazia, mas ao menos com algo em cima do ombro, para me sentir menos estrangeira no meu mundo social. Aguardo que alguma boa alma encontre os documentos e os leve para a Delegacia. Ligo todos os dias para a DP e Brigada Militar verificando se foram encontrados. Ainda não.
Fico relembrado meus atos na hora do assalto. Ora pergunto porque não reagi. Deveria ter feito um gesto brusco e tirado a arma do cara. Ora pergunto porque me agachei. Deveria ter ficado paralisada. Ora fico com vontade de entrar em um curso de Defesa Pessoal. Aliás, creio eu que nas escolas, os alunos deveriam ter aulas de Defesa Pessoal em vez de Educação Física. O MEC deveria urgentemente repensar o currículo escolar.
Facebook
Coloquei no Facebook uma frase bem-humorada de Millor Fernandes: "Ser pobre não é crime, mas ajuda muito a chegar la". Imediatamente, recebi reações adversas. De que os maiores ladrões são os políticos e os colarinhos brancos. Retruquei que só porque os maiores ladroes são os de colarinho, a gente não tem de dar anistia e perdão para os ladrões menores. As cadeias e polícias estão abarrotadas de ladroezinhos que nasceram e viveram nas favelas. É lógico que a pobreza é um fator de motivação para o crime. Quem duvida é doido. Sem horizonte social, sem ter nada a perder, sem emprego que pague o mínimo de dignidade, é muito mais fácil assaltar uma fruteira do que ficar coçando o saco se lastimando pela vida. È louco também que não entende que não dá para generalizar. Tanto pobres quanto ricos fazem isso. So que estamos tentanto ser politicamente corretos e queremos "defender" os que tem menos em nome da nossa pseudo-compaixão pelos oprimidos. Acontece que é preciso usar o principio da isonomia. Temos de punir tanto pobres quanto ricos. O fato de ricos roubarem não exclui que pobres não façam isso, mas sim e a gente nao tem de dar anistia pra eles. Se você cerca sua propriedade para impedir que vacas e bois comam o pasto e os dois invadem ruminando tudo, você só vai punir os bois e deixar as vacas?Não, vc vai pedir para o dono do rebanho levar esses animais maléficos porque está de saco cheio de todos eles.
Amanhã eu terei de ir a pé para o trabalho e voltar tambem. E terei de fazer isso algumas semanas ate que venha a segunda via da minha CNH. Sim, pq eu tenho de andar na lei e nao posso descumprir as regras de dirigir sem documento. Tudo por um assalto chinfrim. Enfim, continuo concordando com Millor Fernandes: Ser pobre não é vergonha. Tem muito pobre sem-vergonha.
Acabara de colocar a mão no iogurte da geladeira quando ouço uma voz fraca: "E um assalto, é um assalto, não façam movimentos." Dois homens encapuzados protagonistas do ato. Fixei os olhos em um durante alguns segundos, pensando ser brincadeira. Olhei a arma, era lustrosa demais. Parecia leve demais. E certamente pela frouxidão da voz de comando, ERA UMA BRINCANDEIRA. Mas não era porque logo após eles tentavam coagir: "Vamos matar um. Vamos matar um."
Percebi que passava por um verdadeiro assalto. Sem pensar, agachei-me. Meu objetivo era jogar a bolsa no chão e pegar a chave do carro e os documentos. Sabia que a falta de carta de motorista, identidade, cartões, me daria uma dor de cabeça danada. Não deu tempo. O bodoso veio atrás da prateleira ao meu lado me intimar. "Larga, larga". Tomou-me a bolsa vermelha com toda minha vida dentro. Estou sem identidade. Nunca tive antes, sempre me achei meio errante. Mas agora não posso provar que eu sou eu. E isso vai me dar um trabalhão. Estou sem identidade, sem Sicredi, sem Refeisul, sem Unimed, sem Carteira de Habilitação, sem CPF, e sem inspiração pra falar desse mundo injusto e desolador.
Levaram a chave do meu carro. Eu não tinha copia em casa. A noite, tivemos de achar um chaveiro que se dispussesse a levar o carro prá casa dele e fazer "miolos" novos. Trocar todos os segredos do carro. Todo esse trabalhão por dois minutos de assalto.
No outro dia, tive de ir a polícia fazer registro. Não tinha um tostão para pagar nem o ônibus porque afinal minha carteira fora levada (tinha uns reais dentro) e meu cartão de credito também. Fui a pé, sem bolsa e sem nada. Me sentia invisível, eu não tinha tiracolo, parece que estave desanexada do mundo. No caminho a policia, entrei em duas lojas para comprar uma bolsa sem dinheiro e sem documento. Explicara que havia sido assaltada e que quando o banco restabelecesse o cartão eu pagaria. Queria fazer no crédito. Mas as lojas so trabalhavam com cartão.
Foi um assalto fútil. Um assaltinho, nem tomou grandes proporções para valer uma cronica, diante de tantos assaltos com mortes que a gente percebe na imprensa. Mas foi meu assalto. Foi o assalto que me tornou invisível perante a sociedade. Foi um assalto que me tornou invisível perante mim. Caminhado sem lenço e sem documento até o Centro, para bloquear cartões, ir na CDL e outras providências, lembrei-me dos mendigos que habitam na Praça da Matriz. Muitos deles me disseram que já não tinha mais documentos, eu então me dei conta de o quao impactante é viver sem noção de origem ou referencia. Um paria social.
Consegui comprar uma bolsa na terceria loja em que eu tinha crediário. Mesmo com crediário, a lojista teve de pedir permissão a gerente, se poderia fazer esse tipo de negociação. Ou seja, quando tu é vítima, tu fica ainda mais vítima das coisas que te cercam. Porque em situação normal, seria so eu pegar o artigo e levar ao caixa, já que a loja tinha todas as minhas informações e eu so pagaria um mês depois. Mas como fui vítima e estava sem nada, ela ainda tinha de pedir permissão. Isso me deu tanta raiva quanto eu tive dos assaltantes.
Fui pra casa com a bolsa vazia, mas ao menos com algo em cima do ombro, para me sentir menos estrangeira no meu mundo social. Aguardo que alguma boa alma encontre os documentos e os leve para a Delegacia. Ligo todos os dias para a DP e Brigada Militar verificando se foram encontrados. Ainda não.
Fico relembrado meus atos na hora do assalto. Ora pergunto porque não reagi. Deveria ter feito um gesto brusco e tirado a arma do cara. Ora pergunto porque me agachei. Deveria ter ficado paralisada. Ora fico com vontade de entrar em um curso de Defesa Pessoal. Aliás, creio eu que nas escolas, os alunos deveriam ter aulas de Defesa Pessoal em vez de Educação Física. O MEC deveria urgentemente repensar o currículo escolar.
Coloquei no Facebook uma frase bem-humorada de Millor Fernandes: "Ser pobre não é crime, mas ajuda muito a chegar la". Imediatamente, recebi reações adversas. De que os maiores ladrões são os políticos e os colarinhos brancos. Retruquei que só porque os maiores ladroes são os de colarinho, a gente não tem de dar anistia e perdão para os ladrões menores. As cadeias e polícias estão abarrotadas de ladroezinhos que nasceram e viveram nas favelas. É lógico que a pobreza é um fator de motivação para o crime. Quem duvida é doido. Sem horizonte social, sem ter nada a perder, sem emprego que pague o mínimo de dignidade, é muito mais fácil assaltar uma fruteira do que ficar coçando o saco se lastimando pela vida. È louco também que não entende que não dá para generalizar. Tanto pobres quanto ricos fazem isso. So que estamos tentanto ser politicamente corretos e queremos "defender" os que tem menos em nome da nossa pseudo-compaixão pelos oprimidos. Acontece que é preciso usar o principio da isonomia. Temos de punir tanto pobres quanto ricos. O fato de ricos roubarem não exclui que pobres não façam isso, mas sim e a gente nao tem de dar anistia pra eles. Se você cerca sua propriedade para impedir que vacas e bois comam o pasto e os dois invadem ruminando tudo, você só vai punir os bois e deixar as vacas?Não, vc vai pedir para o dono do rebanho levar esses animais maléficos porque está de saco cheio de todos eles.
Amanhã eu terei de ir a pé para o trabalho e voltar tambem. E terei de fazer isso algumas semanas ate que venha a segunda via da minha CNH. Sim, pq eu tenho de andar na lei e nao posso descumprir as regras de dirigir sem documento. Tudo por um assalto chinfrim. Enfim, continuo concordando com Millor Fernandes: Ser pobre não é vergonha. Tem muito pobre sem-vergonha.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
O fim de O Vale da Insensatez
Aumenta o número de suspeitos da morte da viuva milionária. A DP de Lajeado recebeu uma denúncia de Fontoura Xavier de que o assassino seria nativo de lá. O suspeito é o sortudo que ganhou a Mega Sena milionária de 119 milhões e que depois ficou visado por fraudar a loteria. O homem em questão teria tido negócios escusos com Teodoro Amaral, mas Teodoro deu um calote nele e ficou com a grana.
O homem, descobriu que Teodoro estava morto e matou a Norma para pegar o dinheiro de volta. Ele teria comprado um carro importado numa das revendas de Lajeado e fugido rumo ao Uruguai.
Enquanto a polícia vai atrás das pistas, o advogado Evandro Muliterno de Quadros cuida do espólio da viuva. Segundo o Chiarelli Corretor, Norma havia comprado pelo menos duas manões no Alto do Parque (mas ficou furiosa com o valor do IPTU). Ela também era sócia oculta da Sprtis. (Sim,Norma era uma baladeira e nos anos 80 gostava de ser chamada de Rainha da Sucata).
Há indícios também de que ela estaria fechando neogicação para comprar o Clube da Loira da Bicicleta, mas como morreu o negócio nao foi fechado, Chiarelli perdeu a comissão e a loira ficou triste. Teve que partir para a esquina do Antoniazzi, onde fez concorrencia com a Malu.
Norma foi enterrada no Cemitério Católico do Hidráulica, junto com os nomes quatrocentoes de Lajeado. Milhares ja confirmaram pelo Facebook a participação na missa de sétimo dia que será feita na Paróquia Santo INácio. O padre Antonio PUhl organiza os preparativos. A preocupação é com os abrigados da enchente que estão no pavilhao ao lado. A Defesa Civil aumenta a fiscalização na hora da cerimônia pois teme que os desabrigados junto com os caigangues façam um protesto no estilo: "Minha casa, minha vida".
O destino dos personagens
Natalie - depois de chafurdar no anonimato e perder a popularidae, Natalie entra em depressão e é atendida no Caps em Lajeado. Medicada com sertralina, rivotril e carbolitium ela se mantém estável e pensa em ser capa da Revista Tititi da Tina Ruschel
Douglas e Bibi - Douglas volta para o Mobral e enquanto estuda, a Bibi se diverte com os seguranças do Country Club
Jandira - vira namorada da ex de Araci. AS duas se acabam em baladas GLS em Porto Alegre. Querem promover a primeira no Bar do Gão,, mas vão esperar passar a epoca das chuvas. HOmologaram o contrato de união estavel no cartório de Lajeado e deram uma festinha no NIlo Beauty. O Nilo fez cabelo e maquiagem de graça para o casal.
Pedro e Marina - se separam no primeiro ano de casamento. Estavam morrendo de tédio. Pedro conhece o sofazão e se torna frequentador assiduo, junto com alugns colegas de Lajeado.
Wanda - Apaixonada por jóias, se torna balconista do Weimer Acessórios no Unichsopping. Tem que trabalhar sabados até tarde da noite.
Tia Nene - vai parar na Central onde desvirtua os ensinamentos dos 12 passos do AA. Para ela, é assim: "So por hoje, tomarei mais um gole."
Raul - vira consultor do Ardemio Heineck e tem um alto cargo na Camara da Industra e Comercio do Vale do Taquari. Palestra seguidamente na Acil. A Camila Pitanga vira mulher dele, mas tem uma recaida e vive seus dias de Bebel na Rua dos Marinheiros em Estrela.
Andre - Sem saco pra tudo isso, se muda para Angola. Vira professor de Desing e acolhe os alunos do intercambio da faculdade da cidade
Vitória - quebra e vende a empresa. Com a morte da Norma, as ações provocaram reflexo no indice Down Jones. Vitoria teve o maior prejuizo da historia. Foi o crash da sua vida. Bsca se reeguer e mantém contato com o CFC Vitória. Não precisaria nem mudar o nome do negocio.
O jornalista semi-homofóbico é contratado pelo jornal O Informativo. Fica subalterno do editor Emilio Rotta no setor de polícia. Os dois se confrontam todo o dia e seguidamente sobem para a sala do seu Oswaldo onde assinam termo de advertencia.
Ismael - Recolhido ao Presídio Estadual de Lajeado, fez amizade com o ex-comparsa de Seco e é lider de sua ala. Gerencia o tráfico por smartphone no Cantão do Sapo.
Leo - O Leo mata mais um e salta. Boe, Gape, Policia Civil de Lajeado, Estrela, Montenegro e Encantado mobilizada. Delegado Reis trabalha com a hipótese de que Leo teria sido comparsa de Seco em assaltos a bancos marcantes na região. Bico Fino Brothers Band chamado a compor uma nova versão dos Rollings Stones: I cant get no, satisfaction". Seria a trilha que levaria Leo para o superlotado presido de Lajeado, onde ele morreria exterminado por ratos e baratas
.
Eunice -A Liga de Combate ao Cãncer do Vale convidou Eunice, ex-diretora da Liga da Família Carioca para desfilar de lingerie no salão comunitário evangélico de Lajeado. Eunice vai apresentar a lingerie top, aquela que conquistou o Ismael. O evento será revertido a instituição.
A presença de Eunice faz parte dos serviços comunitários os quais ela foi condenada a prestar a comunidade
Juíza Patricia Acioli - Essa nunca entrou para a história e jamais terá seu crime desvendando. Nem ela, nem a amante do Bruno e nem o zé ninguém da esquina. Porque a vida minha gente, tem tanta coisa impressionante que os humanos mais parecem personagens de ficcção
Atenção
Os personagens são fictícios. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidencia.
Assinado: Gilberto Braga
O homem, descobriu que Teodoro estava morto e matou a Norma para pegar o dinheiro de volta. Ele teria comprado um carro importado numa das revendas de Lajeado e fugido rumo ao Uruguai.
Enquanto a polícia vai atrás das pistas, o advogado Evandro Muliterno de Quadros cuida do espólio da viuva. Segundo o Chiarelli Corretor, Norma havia comprado pelo menos duas manões no Alto do Parque (mas ficou furiosa com o valor do IPTU). Ela também era sócia oculta da Sprtis. (Sim,Norma era uma baladeira e nos anos 80 gostava de ser chamada de Rainha da Sucata).
Há indícios também de que ela estaria fechando neogicação para comprar o Clube da Loira da Bicicleta, mas como morreu o negócio nao foi fechado, Chiarelli perdeu a comissão e a loira ficou triste. Teve que partir para a esquina do Antoniazzi, onde fez concorrencia com a Malu.
Norma foi enterrada no Cemitério Católico do Hidráulica, junto com os nomes quatrocentoes de Lajeado. Milhares ja confirmaram pelo Facebook a participação na missa de sétimo dia que será feita na Paróquia Santo INácio. O padre Antonio PUhl organiza os preparativos. A preocupação é com os abrigados da enchente que estão no pavilhao ao lado. A Defesa Civil aumenta a fiscalização na hora da cerimônia pois teme que os desabrigados junto com os caigangues façam um protesto no estilo: "Minha casa, minha vida".
O destino dos personagens
Natalie - depois de chafurdar no anonimato e perder a popularidae, Natalie entra em depressão e é atendida no Caps em Lajeado. Medicada com sertralina, rivotril e carbolitium ela se mantém estável e pensa em ser capa da Revista Tititi da Tina Ruschel
Douglas e Bibi - Douglas volta para o Mobral e enquanto estuda, a Bibi se diverte com os seguranças do Country Club
Jandira - vira namorada da ex de Araci. AS duas se acabam em baladas GLS em Porto Alegre. Querem promover a primeira no Bar do Gão,, mas vão esperar passar a epoca das chuvas. HOmologaram o contrato de união estavel no cartório de Lajeado e deram uma festinha no NIlo Beauty. O Nilo fez cabelo e maquiagem de graça para o casal.
Pedro e Marina - se separam no primeiro ano de casamento. Estavam morrendo de tédio. Pedro conhece o sofazão e se torna frequentador assiduo, junto com alugns colegas de Lajeado.
Wanda - Apaixonada por jóias, se torna balconista do Weimer Acessórios no Unichsopping. Tem que trabalhar sabados até tarde da noite.
Tia Nene - vai parar na Central onde desvirtua os ensinamentos dos 12 passos do AA. Para ela, é assim: "So por hoje, tomarei mais um gole."
Raul - vira consultor do Ardemio Heineck e tem um alto cargo na Camara da Industra e Comercio do Vale do Taquari. Palestra seguidamente na Acil. A Camila Pitanga vira mulher dele, mas tem uma recaida e vive seus dias de Bebel na Rua dos Marinheiros em Estrela.
Andre - Sem saco pra tudo isso, se muda para Angola. Vira professor de Desing e acolhe os alunos do intercambio da faculdade da cidade
Vitória - quebra e vende a empresa. Com a morte da Norma, as ações provocaram reflexo no indice Down Jones. Vitoria teve o maior prejuizo da historia. Foi o crash da sua vida. Bsca se reeguer e mantém contato com o CFC Vitória. Não precisaria nem mudar o nome do negocio.
O jornalista semi-homofóbico é contratado pelo jornal O Informativo. Fica subalterno do editor Emilio Rotta no setor de polícia. Os dois se confrontam todo o dia e seguidamente sobem para a sala do seu Oswaldo onde assinam termo de advertencia.
Ismael - Recolhido ao Presídio Estadual de Lajeado, fez amizade com o ex-comparsa de Seco e é lider de sua ala. Gerencia o tráfico por smartphone no Cantão do Sapo.
Leo - O Leo mata mais um e salta. Boe, Gape, Policia Civil de Lajeado, Estrela, Montenegro e Encantado mobilizada. Delegado Reis trabalha com a hipótese de que Leo teria sido comparsa de Seco em assaltos a bancos marcantes na região. Bico Fino Brothers Band chamado a compor uma nova versão dos Rollings Stones: I cant get no, satisfaction". Seria a trilha que levaria Leo para o superlotado presido de Lajeado, onde ele morreria exterminado por ratos e baratas
.
Eunice -A Liga de Combate ao Cãncer do Vale convidou Eunice, ex-diretora da Liga da Família Carioca para desfilar de lingerie no salão comunitário evangélico de Lajeado. Eunice vai apresentar a lingerie top, aquela que conquistou o Ismael. O evento será revertido a instituição.
A presença de Eunice faz parte dos serviços comunitários os quais ela foi condenada a prestar a comunidade
Juíza Patricia Acioli - Essa nunca entrou para a história e jamais terá seu crime desvendando. Nem ela, nem a amante do Bruno e nem o zé ninguém da esquina. Porque a vida minha gente, tem tanta coisa impressionante que os humanos mais parecem personagens de ficcção
Atenção
Os personagens são fictícios. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidencia.
Assinado: Gilberto Braga
A morte de Norma no Vale da Insensatez
Repercute no Vale do Taquari a morte de Norma, ex-presidiária e viúva do Teodoro na novela Insensato Coração. A equipe de reportagem do Jornal O Informativo descobriu, depois de exaustivas investigações, quem de fato é o assassino da viúva.
Há uma semana Norma já havia solicitado, ao promotor Neidemar Fachineto, ampla proteção e acolhida na Casa de Passagem do Vale. O pedido foi indeferido pela delegada Márcia Scherer, que entendeu que a requerente tinha condições financeiras de se hospedar no Imperatriz.
Depois disso, Norma contratou uma equipe de advogados para lhe acompanhar, formada por Flávio Ferri, Jerson Zanchetin e Marco Mejia, que liderava a equipe.
Porém, de nada adiantou.
Norma é morta, anunciou o papa Ratzinger em sua preleção diária no Vaticano.
Mas antes mesmo do Papa ter conhecimento, Delmar Portz proferiu, na tribuna de terça-feira da Câmara de Lajeado: "Eu já sabia!!!!"
A exclamação alvorou os ânimos, tendo repercutido inclusive além das fronteiras do Legislativo, pois causou preocupação inclusive no pré-candidato a prefeito do PMDB no ano que vem, Ito Lanius. Ele, que também preside a Alsepro, mobilizou todos os órgãos de segurança e convocou uma reunião às pressas para recontratar a estagiária do vida urgente, alarmado com o aumento do índice de violência. Afinal, a morte de Norma poderia abrir precendetes no Vale do Taquari. Seria uma "matança".
A blogueira Laura Peixoto, única na plateia na sessão de terça-feira, "furou" Record, Globo, TV Fama e até a Sônia Abrão, e deu em primeira mão a notícia de que Delmar Portz já sabia. O tucano tem informações privilegiadas de que todos os telefones da região estão grampeados e, numa conversa entre o presidente do Lajeadense e o autor da novela, grampeada por alguém (por quer manter sigilo), o promotor Pedro Porto descobriu quem matou nNorma e contou para Portz.
Há informações de que mais membros do "ninho tucano", como Auram Terra, saibam dos desdobramentos deste mistério. Porém, alegou que só pode falar sobre Odete Roitmann e Salomão Hayallla, que ele lembra....
Agora, todos estão temerosos com as consequências. Além da reunião da Alsepro, o promotor Sérgio Diefenbach já convocou extraordinária do Fórum de Enfrentamento à Drogação, porque ele considerou o final da novela, uma droga.
O Executivo também está tomando providências para tentar acalmar os ânimos e esclarecer o caso, rebatendo denúncia de Antônio Schefer de que o culpado é o secretário Mozart Lopes. A prefeita Carmen Regina, inicialmente, pensou que Norma tivesse se afogado na enchente. Ela disse "este é o terceiro Vale mais fértil do mundo e um caso destes não aconteceria jamais em nosso pujante gopverno". Agora, Carmen, com auxílio de seu advogado Venâncio Diersmann, está ingressando com uma ADIN contra o autor da novela. Ela julga ser inconstitucional a Norma morrer na última semana.
Há indícios, ainda, de que a morte de NORMA possa ter sido motivada por uma concorrência. Os suspeitos são o CFC Delazeri e o CFC Vitória. Mas isto é assunto para o próximo capítulo.!!!!
Há uma semana Norma já havia solicitado, ao promotor Neidemar Fachineto, ampla proteção e acolhida na Casa de Passagem do Vale. O pedido foi indeferido pela delegada Márcia Scherer, que entendeu que a requerente tinha condições financeiras de se hospedar no Imperatriz.
Depois disso, Norma contratou uma equipe de advogados para lhe acompanhar, formada por Flávio Ferri, Jerson Zanchetin e Marco Mejia, que liderava a equipe.
Porém, de nada adiantou.
Norma é morta, anunciou o papa Ratzinger em sua preleção diária no Vaticano.
Mas antes mesmo do Papa ter conhecimento, Delmar Portz proferiu, na tribuna de terça-feira da Câmara de Lajeado: "Eu já sabia!!!!"
A exclamação alvorou os ânimos, tendo repercutido inclusive além das fronteiras do Legislativo, pois causou preocupação inclusive no pré-candidato a prefeito do PMDB no ano que vem, Ito Lanius. Ele, que também preside a Alsepro, mobilizou todos os órgãos de segurança e convocou uma reunião às pressas para recontratar a estagiária do vida urgente, alarmado com o aumento do índice de violência. Afinal, a morte de Norma poderia abrir precendetes no Vale do Taquari. Seria uma "matança".
A blogueira Laura Peixoto, única na plateia na sessão de terça-feira, "furou" Record, Globo, TV Fama e até a Sônia Abrão, e deu em primeira mão a notícia de que Delmar Portz já sabia. O tucano tem informações privilegiadas de que todos os telefones da região estão grampeados e, numa conversa entre o presidente do Lajeadense e o autor da novela, grampeada por alguém (por quer manter sigilo), o promotor Pedro Porto descobriu quem matou nNorma e contou para Portz.
Há informações de que mais membros do "ninho tucano", como Auram Terra, saibam dos desdobramentos deste mistério. Porém, alegou que só pode falar sobre Odete Roitmann e Salomão Hayallla, que ele lembra....
Agora, todos estão temerosos com as consequências. Além da reunião da Alsepro, o promotor Sérgio Diefenbach já convocou extraordinária do Fórum de Enfrentamento à Drogação, porque ele considerou o final da novela, uma droga.
O Executivo também está tomando providências para tentar acalmar os ânimos e esclarecer o caso, rebatendo denúncia de Antônio Schefer de que o culpado é o secretário Mozart Lopes. A prefeita Carmen Regina, inicialmente, pensou que Norma tivesse se afogado na enchente. Ela disse "este é o terceiro Vale mais fértil do mundo e um caso destes não aconteceria jamais em nosso pujante gopverno". Agora, Carmen, com auxílio de seu advogado Venâncio Diersmann, está ingressando com uma ADIN contra o autor da novela. Ela julga ser inconstitucional a Norma morrer na última semana.
Há indícios, ainda, de que a morte de NORMA possa ter sido motivada por uma concorrência. Os suspeitos são o CFC Delazeri e o CFC Vitória. Mas isto é assunto para o próximo capítulo.!!!!
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
É dos carecas que Deus gosta mais
Uma interessante mente.Para os fundamentalistas, um demente. O judeu americano e jornalista David Plotz encoraja o mundo a ler a Bíblia. Ele diz que a Biblia deveria ser ensinada em faculdades, escolas e universidades. "Não ler a Bíblica é como ser cego". O cara não é nenhum carola, pelo contrário. Ele incita a ler justamente para o povo perceber como o Deus do Velho Testamento é cruel. Na Bíblia, o que mais o perturbou foi o fato de Deus pedir e exigir o assassinato de pessoas inocentes. E se a Bíblia fosse intepretada ao pé da letra? O mundo seria segregado entre homens e mulheres que estariam impuras quando menstruadas.
O mais engraçado
Para Plotz, o fato mais engraçado da Bíblica é a obsessão de Deus com os carecas. Ele afirma que homens carecas são puros e diz várias vezes para rasparem a cabeça e o corpo. (Com a nova onda dos neossexuais, Deus daria se agradaria muito deles). Há até um episodio em que alguns garotos zombam do profeta Elias, chamando-o de careca. Em seguida, um urso aparece e mata 42 crianças por causa disso.
* De acordo com Mark Twain, a Bíblia retrata Deus como um homem de impulsos maus muito além dos limites humanos, sendo classificada por ele a biografia mais condenável já vista por ele.[21] Ainda de acordo com ele, no Antigo Testamento, ele é mostrado como sendo injusto, mesquinho, cruel e vingativo, punindo crianças inocentes pelos erros de seus pais; punindo pessoas pelos pecados de seus governantes, descontando sua vingança em ovelhas e bezerros inofensivos, como punição por ofensas insignificantes cometidas por seus proprietários
O mais engraçado
Para Plotz, o fato mais engraçado da Bíblica é a obsessão de Deus com os carecas. Ele afirma que homens carecas são puros e diz várias vezes para rasparem a cabeça e o corpo. (Com a nova onda dos neossexuais, Deus daria se agradaria muito deles). Há até um episodio em que alguns garotos zombam do profeta Elias, chamando-o de careca. Em seguida, um urso aparece e mata 42 crianças por causa disso.
* De acordo com Mark Twain, a Bíblia retrata Deus como um homem de impulsos maus muito além dos limites humanos, sendo classificada por ele a biografia mais condenável já vista por ele.[21] Ainda de acordo com ele, no Antigo Testamento, ele é mostrado como sendo injusto, mesquinho, cruel e vingativo, punindo crianças inocentes pelos erros de seus pais; punindo pessoas pelos pecados de seus governantes, descontando sua vingança em ovelhas e bezerros inofensivos, como punição por ofensas insignificantes cometidas por seus proprietários
domingo, 7 de agosto de 2011
Resumo da ópera
Me comportar?
Cinderela chegava meia noite, descalça. Pinocchio mentia. Aladim era ladrão. Batman dirigia a 320 km/h. Branca de Neve morava com 7 homens. Gargamel fazia chá de cogumelo e conversava com Smurfs. O Mario comia cogumelos. Popeye fumava grama e era todo tatuado. Pac Man corria numa sala escura com música eletrônica comendo pílulas que o deixavam acelerado.
TARDE DEMAIS! A culpa é da INFÂNCIA!
(peguei do Facebook)
Cinderela chegava meia noite, descalça. Pinocchio mentia. Aladim era ladrão. Batman dirigia a 320 km/h. Branca de Neve morava com 7 homens. Gargamel fazia chá de cogumelo e conversava com Smurfs. O Mario comia cogumelos. Popeye fumava grama e era todo tatuado. Pac Man corria numa sala escura com música eletrônica comendo pílulas que o deixavam acelerado.
TARDE DEMAIS! A culpa é da INFÂNCIA!
(peguei do Facebook)
As lições da soc - Idade
Os contornos do seu rosto não estão mais no mesmo lugar. O maxilar que antes era definido, agora invade o espaço do queixo. Aquele bócio te irrita tanto. Você, em frente ao espelho de narciso, eleva um tanto a cabeça num ângulo em que nâo vê a papada para fingir que realmente não existe esse queixo duplo. Foi uma mera impressão. Já não se fazem mais espelhos como antigamente.
Mas você vai pintar o cabelo e no salão de beleza, a profissional te obriga a ficar com a cabeça reta bem em frente aquele espelho enorme. Uma afronta. Engessada, sem poder se mexer, aquele queixo duplo aparece novamente. Maior, bem maior, espelho maldito. No salão de beleza, você percebe que a sua está indo embora. Pinte o cabelo. Passe tinta na realidade. Alfaparf, Majiblod, Keune. O seu segredo blondie está se esvaindo como uma areia na ampulheta.
Você só teve quinze anos para desfrutar de sua plena beleza. Só quinze. Seria a vida útil de um..um...um guarda-roupa. Você se deu conta de que era bela na idade mágica, aos 15 anos. Não quis mais sapato baixo, aderiu ao vestido bem cintado e ao olho esfumado. Você estava pronta para os flertes. Sua beleza crescia em escalada.
Aos 20 anos, olhos claros e viço invejáveis. Aos 25, esperta em sedução. Mezzo jovem, mezzo mulher, uma tentação. Aos 30, você percebe que as cantadas de operários que te irritavam profundamente já não são mais frequentes. Logo você, que gostava de chegar no seu grupo de amigas reclamando das cantadas baratas. "É o cúmulo ser cantada por pedreiro. Que nojo".
Você fez muito bem o papel de bonitona blasé, aquela que está além do físico, que acredita na beleza interior. Sim, você parecia tão espiritualizada e modesta. Você dizia, a beleza é efêmera como se realmente soubesse o que seria isso. Mas era um jogo de cena. Você estava interpretando para você mesma.
Você amava as cantadas dos pedreiros. Só agora aos 35 anos, se deu conta disso. Agora também você descobriu o sentido de "efêmero". Você nem passou por tantas construções assim em sua vida e sua beleza já entrou em declive.
Em frente ao prédio de 12 andares, você passa devagar, com todos os sentidos atentos. Se regozijará com o primeiro ruído. "Que boneca". Você ainda tem poder menina. Olha disfarçadamente e vê que a exclamação era para a garota atrás de você. Fiu Fiuuuuuu. Não restou nenhum elogio para você. Nem o restolho. E a irritante estudante faz aquele ar de quem não está gostando, igual ao que você fazia.
Seus pensamentos se aceleram e você repassa mentalmente as lisonjas que andou recebendo pela Internet: Mas não pode ser, eu tenho 38 anos, mas todo mundo diz que aparento menos. A idade está na cabeça.
Você quer comprovar sua tese na primeira balada que se motiva a ir. Agarra aquele garoto de 23 anos que lhe diz que você é gostosa e bonita. Um mulherão.
Você está certa. A idade ainda não chegou. Tem o DNA da Vera Fischer. Você está no páreo, na pista para negócio. Tem seu carro próprio, uma profissão e fez um rápido calculo mental: já beijou umas 200 bocas nessa sua carreira de mulher bonita. Nada mal, garota esperta.
Você está em vantagem contra as meninas de 20. Não é que você seja experiente, não, isso não. É só que você experimentou mais e agora sabe as artimanhas. O seu príncipe de 23 sabe disso e é claro está altamente atraido por você. Você virou uma mulher de alta performance. Os dois passeiam no shopping, vão a barzinhos e mantém um papo com amigos em comum nas baladas. Mas você nunca frequentou a casa dele e nem ele a sua. Você protelou tudo isso não sabe porque. Um dia talvez, mas esse dia nunca chega, porque a senhora dá um fim no romance. Sim, você e não ele.Você descobriu no Facebook dele uma mensagem enviada a um amigo: "Vou sair com a coroa gostosa, hoje"
"Coroa gostosa", "coroa gostosa", "corosa gostosa". As palavras tilitam como um sino funebre. Você esquece o "gostosa" e só foca no "coroa". E então se dá conta da verdade acachapante. Você È coroa. Não lembra? Quantas vezes a balconista perguntou: a senhora quer débito ou crédito? E o vendedor da loja de eletrônicos. Qual foi a indagação mesmo? A senhora quer a vista ou a prestação?Eu quero crédito. Que a vida me dê mais crédito!
Você pensava que "senhora" era só um pronome de tratamento generalizado, mas para a garota de frente da fila, ele utilizou o termo "você". Para ela, é você. E você é senhora. Sem contar no repulsivo hábito aborrecente de chamar de "tia". Mas isso você dá um desconto, porque eles chama de tia quaquer que tenha acima de 20 anos.
Mas aquele "coroa" exposto no FB pregado ali na tela pelo seu garboso rapaz, ah isso foi demais. Em que momento você não viu que o tempo é uma engrenagem que mastiga a todos que estão na sua esteira? Você quis fugir da lei da vida e está pagando por isso. Eu, você, a Angelina Jolie, todos nós caimos nas garras do tempo.
Todos os seus aniversários - são anos em que se vive a mais. Se você não quisesse viver pode se auto-imolar aos 30 anos. Só assim ficará jovem para sempre. Mas também você não poderá colocar seu pijama e pensar - depois que todos os pés-de-galinha estiverem depositados adequadamente em seus lugares - como se resignou com o crônometro - interno e externo. Uma dificulade depois de vencida, se torna fácil. No final, é só com o tempo que aprende uma das lições mais fatais do ser humano: a idade ensina a envelhecer. Uma lição que Marlyn Monroe jamais aprendeu.
Mas você vai pintar o cabelo e no salão de beleza, a profissional te obriga a ficar com a cabeça reta bem em frente aquele espelho enorme. Uma afronta. Engessada, sem poder se mexer, aquele queixo duplo aparece novamente. Maior, bem maior, espelho maldito. No salão de beleza, você percebe que a sua está indo embora. Pinte o cabelo. Passe tinta na realidade. Alfaparf, Majiblod, Keune. O seu segredo blondie está se esvaindo como uma areia na ampulheta.
Você só teve quinze anos para desfrutar de sua plena beleza. Só quinze. Seria a vida útil de um..um...um guarda-roupa. Você se deu conta de que era bela na idade mágica, aos 15 anos. Não quis mais sapato baixo, aderiu ao vestido bem cintado e ao olho esfumado. Você estava pronta para os flertes. Sua beleza crescia em escalada.
Aos 20 anos, olhos claros e viço invejáveis. Aos 25, esperta em sedução. Mezzo jovem, mezzo mulher, uma tentação. Aos 30, você percebe que as cantadas de operários que te irritavam profundamente já não são mais frequentes. Logo você, que gostava de chegar no seu grupo de amigas reclamando das cantadas baratas. "É o cúmulo ser cantada por pedreiro. Que nojo".
Você fez muito bem o papel de bonitona blasé, aquela que está além do físico, que acredita na beleza interior. Sim, você parecia tão espiritualizada e modesta. Você dizia, a beleza é efêmera como se realmente soubesse o que seria isso. Mas era um jogo de cena. Você estava interpretando para você mesma.
Você amava as cantadas dos pedreiros. Só agora aos 35 anos, se deu conta disso. Agora também você descobriu o sentido de "efêmero". Você nem passou por tantas construções assim em sua vida e sua beleza já entrou em declive.
Em frente ao prédio de 12 andares, você passa devagar, com todos os sentidos atentos. Se regozijará com o primeiro ruído. "Que boneca". Você ainda tem poder menina. Olha disfarçadamente e vê que a exclamação era para a garota atrás de você. Fiu Fiuuuuuu. Não restou nenhum elogio para você. Nem o restolho. E a irritante estudante faz aquele ar de quem não está gostando, igual ao que você fazia.
Seus pensamentos se aceleram e você repassa mentalmente as lisonjas que andou recebendo pela Internet: Mas não pode ser, eu tenho 38 anos, mas todo mundo diz que aparento menos. A idade está na cabeça.
Você quer comprovar sua tese na primeira balada que se motiva a ir. Agarra aquele garoto de 23 anos que lhe diz que você é gostosa e bonita. Um mulherão.
Você está certa. A idade ainda não chegou. Tem o DNA da Vera Fischer. Você está no páreo, na pista para negócio. Tem seu carro próprio, uma profissão e fez um rápido calculo mental: já beijou umas 200 bocas nessa sua carreira de mulher bonita. Nada mal, garota esperta.
Você está em vantagem contra as meninas de 20. Não é que você seja experiente, não, isso não. É só que você experimentou mais e agora sabe as artimanhas. O seu príncipe de 23 sabe disso e é claro está altamente atraido por você. Você virou uma mulher de alta performance. Os dois passeiam no shopping, vão a barzinhos e mantém um papo com amigos em comum nas baladas. Mas você nunca frequentou a casa dele e nem ele a sua. Você protelou tudo isso não sabe porque. Um dia talvez, mas esse dia nunca chega, porque a senhora dá um fim no romance. Sim, você e não ele.Você descobriu no Facebook dele uma mensagem enviada a um amigo: "Vou sair com a coroa gostosa, hoje"
"Coroa gostosa", "coroa gostosa", "corosa gostosa". As palavras tilitam como um sino funebre. Você esquece o "gostosa" e só foca no "coroa". E então se dá conta da verdade acachapante. Você È coroa. Não lembra? Quantas vezes a balconista perguntou: a senhora quer débito ou crédito? E o vendedor da loja de eletrônicos. Qual foi a indagação mesmo? A senhora quer a vista ou a prestação?Eu quero crédito. Que a vida me dê mais crédito!
Você pensava que "senhora" era só um pronome de tratamento generalizado, mas para a garota de frente da fila, ele utilizou o termo "você". Para ela, é você. E você é senhora. Sem contar no repulsivo hábito aborrecente de chamar de "tia". Mas isso você dá um desconto, porque eles chama de tia quaquer que tenha acima de 20 anos.
Mas aquele "coroa" exposto no FB pregado ali na tela pelo seu garboso rapaz, ah isso foi demais. Em que momento você não viu que o tempo é uma engrenagem que mastiga a todos que estão na sua esteira? Você quis fugir da lei da vida e está pagando por isso. Eu, você, a Angelina Jolie, todos nós caimos nas garras do tempo.
Todos os seus aniversários - são anos em que se vive a mais. Se você não quisesse viver pode se auto-imolar aos 30 anos. Só assim ficará jovem para sempre. Mas também você não poderá colocar seu pijama e pensar - depois que todos os pés-de-galinha estiverem depositados adequadamente em seus lugares - como se resignou com o crônometro - interno e externo. Uma dificulade depois de vencida, se torna fácil. No final, é só com o tempo que aprende uma das lições mais fatais do ser humano: a idade ensina a envelhecer. Uma lição que Marlyn Monroe jamais aprendeu.
Criar filhos é uma facada no flanco
É minha gente, há exatamente uma semana do Dia dos Pais, vivo um domingo emblemático de uma forma ultranegativa. Tive uma briga homérica com minha filha de 12 anos que envolveu ofensas, tapas e socos. Não consigo ser uma mãe de alta performance, como ensina Içami Tiba. Não consigo ter performance nenhuma nessa seara materno-infernal a que cada pai fica submetido assim que o espermatozóide fecuda o óculo. Depois disso, sai do útero o espermatozoide vencedor. Esse espermatozoide cresce com síndrome de poder e na adolescência acha que é rei. Que pode contestar, confrontar e empunhar a crença de que ele é ele. E ele é tudo que importa. Do utero para a sociedade, existe uma longa caminhada que tem que ser policiada por nós, provedores. A questão é que é phodas, que me desculpem os educadores politicamente corretos. Um cachorro dá menos trabalho e abana o rabo sempre que a gente chega em casa, o adolescente se tranca no quarto e não abre a porta nem que o raio o parta porque está em suas instalações como se estivesse deitado em sua cama de dossel, como se batalhasse e ganhasse ordenado para ter essa vida principesca regada a tecnologia (TV, internet, celular com mp3) e sonhando com seu netbook que vai sair o meu salário.Com toda essa dependência do provedor, ele se acha o tal. A adolescência é uma fase muito cara de pau mesmo.
A briga dominical iniciou porque percebi que ela havia feito um furo no seu pijama top de linha. O buraco era para enfiar o polegar, uma moda customizada inspirada creio eu, na tal Roberta Messi da novelinha idiota Rebelde. Indignada, indaguei-a o porquê do ato. Com a jactância de uma adolescente segura de si, ela disse que ela faz o que quer, que não está errada e que gostou do visual. Cobras e lagartos foram ditos. Nos pegamos nos tapas. Ela me mordeu, eu mordi também. Fomos para os cabelos e a briga só parou com a intervenção dos avós. Não se educa a base de bordoada e isso ela me deixou claro: "Tu vai ser presa e vai morrer na cadeia e eu vou dançar em cima do teu caixão."
Começou a guerra verbal: chamei-a de menininha. Ela me chamou de putinha. E lascou uma frase retirada de novelas de adolescentes: "eu não tenho respeito por ti, só tenho medo. So respeito quem eu admiro".
Quando a gente é adolescente, a gente acha que vai ganhar o embate com essas frases de efeito, que são bonitas e parecem bem articuladas. Cresça e apareça. Por ora, ter medo está bom. Medo implica em fazer a lei vigente do território ao qual ela está instalada. Logo, medo quer dizer não furar pijamas caros (nem os baratos)
Içami Tiba diz que é preciso aplicar em casa a cidadania familiar. Nome bonito que soa como um projeto possível. Mas é tudo tão complicado, muito mais do que os sem-filhos imaginam. Todo mundo diz que o diálogo é a solução. Tiba diz: as crianças estão cansadas de ouvir.Muitas vezes nem prestam atenção na hora da bronca, não há educação nesse momento. É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família. O filho não pode fazer em casa o que não se faz lá fora na sociedade. Não posso deixar ela furar a blusa, assim como não posso deixar que ela coloque fogo em latas de lixo em atos de vandalismo. Provedor não é amigo. Se o mundo é meritocrata, os pais devem ser também: Ganha-se destaque por alguma coisa que a pessoa fez; se não mereceu, logo o destaque se perde. Dar a mesma coisa para o filho que acertou e para o que errou não é bom para nenhum dos dois. É preciso ser justo.O pai não pode sustentar e não receber um retorno. É como se ele comprasse uma mercadoria e não a recebesse. Não dá para fazer a criança retroceder e voltar a ser um espermatozóide. É preciso engolir os filhos com tudo o que tem de bom ou de ruim. Eu percebi que assim como a família, a escola, a TV também deseduca. As frases feitas, os bordões da novelinha, tudo incrustrado no comportamento da minha filha, porque ela quer ser Rebelde.
A televisão inventa moda, quem paga o pato são os pais. E seu porventura eu querer ser a Rebelde, o Conselho Tutelar me detona a vida. Socorro, quem quer volta a ser espermatozoide sou eu.
****
Nós queremos que nossos filhos tenham prazer sem responsabilidade. Por isso eles são irresponsáveis na busca deste prazer. E o que é uma droga, senão uma maneira fácil de se ganhar prazer? A pessoa não precisa fazer nada, apenas ingeri-la. Nós educamos os filhos para que eles usem drogas. Se ele tiver que preservar a saúde dele, pensa duas vezes.
Pai não pode dar tudo e não controlar a vida do filho. Quando digo controle, quero dizer que o pai deve fazer com que o filho corresponda às expectativas, que o filho faça o que precisa ser feito. Um filho não pode deixar de escovar os dentes ou de estudar e o pai não pode deixar isso passar.
A briga dominical iniciou porque percebi que ela havia feito um furo no seu pijama top de linha. O buraco era para enfiar o polegar, uma moda customizada inspirada creio eu, na tal Roberta Messi da novelinha idiota Rebelde. Indignada, indaguei-a o porquê do ato. Com a jactância de uma adolescente segura de si, ela disse que ela faz o que quer, que não está errada e que gostou do visual. Cobras e lagartos foram ditos. Nos pegamos nos tapas. Ela me mordeu, eu mordi também. Fomos para os cabelos e a briga só parou com a intervenção dos avós. Não se educa a base de bordoada e isso ela me deixou claro: "Tu vai ser presa e vai morrer na cadeia e eu vou dançar em cima do teu caixão."
Começou a guerra verbal: chamei-a de menininha. Ela me chamou de putinha. E lascou uma frase retirada de novelas de adolescentes: "eu não tenho respeito por ti, só tenho medo. So respeito quem eu admiro".
Quando a gente é adolescente, a gente acha que vai ganhar o embate com essas frases de efeito, que são bonitas e parecem bem articuladas. Cresça e apareça. Por ora, ter medo está bom. Medo implica em fazer a lei vigente do território ao qual ela está instalada. Logo, medo quer dizer não furar pijamas caros (nem os baratos)
Içami Tiba diz que é preciso aplicar em casa a cidadania familiar. Nome bonito que soa como um projeto possível. Mas é tudo tão complicado, muito mais do que os sem-filhos imaginam. Todo mundo diz que o diálogo é a solução. Tiba diz: as crianças estão cansadas de ouvir.Muitas vezes nem prestam atenção na hora da bronca, não há educação nesse momento. É preciso impor a obrigação de que o filho faça, isso cria a noção de que ele tem que participar da vida comunitária chamada família. O filho não pode fazer em casa o que não se faz lá fora na sociedade. Não posso deixar ela furar a blusa, assim como não posso deixar que ela coloque fogo em latas de lixo em atos de vandalismo. Provedor não é amigo. Se o mundo é meritocrata, os pais devem ser também: Ganha-se destaque por alguma coisa que a pessoa fez; se não mereceu, logo o destaque se perde. Dar a mesma coisa para o filho que acertou e para o que errou não é bom para nenhum dos dois. É preciso ser justo.O pai não pode sustentar e não receber um retorno. É como se ele comprasse uma mercadoria e não a recebesse. Não dá para fazer a criança retroceder e voltar a ser um espermatozóide. É preciso engolir os filhos com tudo o que tem de bom ou de ruim. Eu percebi que assim como a família, a escola, a TV também deseduca. As frases feitas, os bordões da novelinha, tudo incrustrado no comportamento da minha filha, porque ela quer ser Rebelde.
A televisão inventa moda, quem paga o pato são os pais. E seu porventura eu querer ser a Rebelde, o Conselho Tutelar me detona a vida. Socorro, quem quer volta a ser espermatozoide sou eu.
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Nós queremos que nossos filhos tenham prazer sem responsabilidade. Por isso eles são irresponsáveis na busca deste prazer. E o que é uma droga, senão uma maneira fácil de se ganhar prazer? A pessoa não precisa fazer nada, apenas ingeri-la. Nós educamos os filhos para que eles usem drogas. Se ele tiver que preservar a saúde dele, pensa duas vezes.
Pai não pode dar tudo e não controlar a vida do filho. Quando digo controle, quero dizer que o pai deve fazer com que o filho corresponda às expectativas, que o filho faça o que precisa ser feito. Um filho não pode deixar de escovar os dentes ou de estudar e o pai não pode deixar isso passar.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Divórcio a jato
A Vida miojo determina relações em que tudo é feito de forma instantânea, inclusive dar fim ao amor. Hoje é mais difícil apagar a marca da aliança do que dar fim ao casamento. A nova lei que agiliza o divórcio imediato completou um ano com as estatísticas em disparada. O número de dissoluções no Cartório Civil de Lajeado aumentou em 48% em um ano. So neste, houve 84 divórcios no cartório. Até o nome pegou: “divórcio a jato”. A legislação atual permite o fim do casamento em até 24 horas. Em Lajeado, o trâmite é feito em cinco dias, o que não é nada tardio, se for levado em conta que antes, o casal tinha que ter pelo menos um ano de separação judicial. Para um divórcio sem partilha de bens, o desembolso é de R$ 44,80.
Pilula do dia seguinte, Viagra, camisinha saborosa e um arsenal de acessórios da sex shopp promovem o amor erótico. Casar e descasar é como zapear na televisão. Se você não tiver um bom marketing pra segurar o camarada, danou-se. Perdeu playboy!Estás separada...mas ainda restam as fotos Dress the trash que você pagou caríssimo como ícone do amor eterno. As fotos, elas salvam o ritual. Quando não pagam o pato do divórcio....
Pilula do dia seguinte, Viagra, camisinha saborosa e um arsenal de acessórios da sex shopp promovem o amor erótico. Casar e descasar é como zapear na televisão. Se você não tiver um bom marketing pra segurar o camarada, danou-se. Perdeu playboy!Estás separada...mas ainda restam as fotos Dress the trash que você pagou caríssimo como ícone do amor eterno. As fotos, elas salvam o ritual. Quando não pagam o pato do divórcio....
quarta-feira, 20 de julho de 2011
A dor do diferente
Simone toca piano, flauta e guitarra. E nas horas vagas, treina o afinamento da sua voz em aulas de música. Simone se engaja no que faz e está preocupada com a justiça social. Simone recebe o mesmo valor salarial do que Eduarda. Ambas atuam no grupo Tenha Dó, Faça La e Guarde em Si. Um quinteto que peregrina pelo Estado causando impacto e sensações através da música. Eduarda é uma boa musicista, mas só toca trompete. Enquanto Simone atua em quatro frentes, robustecendo e qualificando o grupo, Eduarda se mantém na sua posição. Faz bem também, mas é mulher de um instrumento só. O maestro diz que não dá para aumentar o salário, porque a disparidade iria contra os princípios de igualdade, afinal as duas estão na mesma categoria. E depois deste patamar, a única categoria existente é a de regente. OU seja, apesar de Simone ser uma mulher-orquestra, estará relegada ao principio de igualdade do quinteto Tenha Dó.
Acontece que Simone sabe ser diferente. Essa diferença às vezes causa exclusão. Com tantos instrumentos ao redor de sí, o seu mundo, a sua percepção, são aptidões artísticas. Ela também tem mania de dizer tudo o que pensa, algo que desafina do coro dos contentes. Nunca é conveniente ser lúcida demais. A lucidez em excesso proporciona um estima de loucura, eis aí outra diferença. Mas Simone gosta desta cara limpa. É como se ela conseguisse o equilibrio cortejando a insanidade, como cantaria Renato Russo.
Mas em síntese, quando a banda toca, ela se sobressai. Digamos que em campo, ela seria o atacante. Pode-se difamar o diferente, mas a verdade é que o diferenciado é o melhor entre os iguais. Áristóteles percebeu isso há milênios e identificou alguns principios da igualdade, entre eles o da "igualdade proporcional qualitativa", significa tratar igual os iguais e desigual os desiguais. É um paradoxo complicado: tem que pensar um pouqinho, mas em síntese seria: desigualar para criar igualdade.
Mas em síntese, quando a banda toca, ela se sobressai. Digamos que em campo, ela seria o atacante. Pode-se difamar o diferente, mas a verdade é que o diferenciado é o melhor entre os iguais. Áristóteles percebeu isso há milênios e identificou alguns principios da igualdade, entre eles o da "igualdade proporcional qualitativa", significa tratar igual os iguais e desigual os desiguais. É um paradoxo complicado: tem que pensar um pouqinho, mas em síntese seria: desigualar para criar igualdade.
Dentro da nossa histórinha fictícia, a musicista Simone deveria receber um salário maior do que Eduarda para que a igualdade fosse realmente justa. Ela possui um mérito maior. Então é assim ó, nas palavras de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não, igualdade real".
Ao tentar fazer justiça com uma norma equivalente a todos, a diretoria do grupo Tenha Dó pecou na injustiça porque igualou o salario de Simone ao da Eduarda. Os juristas dizem que na desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade”. Deste modo, “a desigualdade nem sempre é contrária à igualdade”. Eu confesso que essa é uma relfexão egoísta. Eu poderia falar da lei de cotas, dos deficientes, mas escolhi o ângulo salarial numa historinha falsa para ponderar sobre o principio da isonomia.
Mas olha só, estou completamente errada pela ótica da CLT: o princípio de isonomia salarial entre os empregados está baseado no salário igual para trabalhos de igual natureza, eficácia e duração, sem distinção de nacionalidade, sexo, raça, religião ou estado civil. Talento, esforço e dedicação não estão inclusos na regra da equidade. É a dor do diferente!
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros
(Engenheiros do Hawai)
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros
(Engenheiros do Hawai)
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Amor Platônico
A fruta nunca cai longe do pé. Mas a fruta se aperfeiçoa. É a tal eugenia natural, creio eu. Em 15 minutos, a filhota da mamãe apresentou um poema bacana para a professora de português. Depois veio correndo me mostrar. Fiquei orgulhosa e disse a ela: - filha, tu leva jeito para jornalista. Marianna, de 12 anos, me retrucou: - Levo jeito para jornalista, não para ser pobre. Me lembrei: jornalista pobre é pleonasmo. Mas aqui vai o poema da dona Marianna Rabaiolli, filha de escola pública.
Não sei onde estou
Não sei onde vou
Te encontro em alguns dias
Te vejo andar pelas vias
Não sei se te quero
Não sei le levo um lero
Quero você mas não falo
Se falasse, riria é claro
Amor ou paixão
O que sente o meu coração?
Paixão vai e passa
Amor marca
Não se esquece
Vou crescer e me casar
Será que esse amor vai parar?
Se ficasse com você
Iria só piorar
Por que você nunca
Iria me Calar
Não sei onde estou
Não sei onde vou
Te encontro em alguns dias
Te vejo andar pelas vias
Não sei se te quero
Não sei le levo um lero
Quero você mas não falo
Se falasse, riria é claro
Amor ou paixão
O que sente o meu coração?
Paixão vai e passa
Amor marca
Não se esquece
Vou crescer e me casar
Será que esse amor vai parar?
Se ficasse com você
Iria só piorar
Por que você nunca
Iria me Calar
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Isabel mata Tina, a viciada
Isabel Cristina da Silva (35)não tinha nome nem sobrenome há um par de anos. Tudo o que possuía era um apelido conhecido da polícia. Tina, a pária. Cinco filhos, 1,60 de altura e outros tantos metros de ficha corrida criminal. Por 34 vezes levada a Delegacia de Polícia, autora de furtos e arrombamentos e por três, encarcerada. Tina, uma alcunha maculada pelo crack. Tina, reformada, agora surge como Isabel. O primeiro nome será seu escudo, uma maneira inaugurar a mudança de vida que iniciou há um ano e quatro meses: 487 dias limpa: 701.280 minutos que não mais se esvaem na fumaça do cachimbo imundo. “Eu não aceito mais que me chamem de Tina. Sou a Isabel”.
Sua história de drogadição foi curta, intensa e devastadora. Uma viagem ao fundo do poço que começou aos 30 anos, quando ela já fora mãe de cinco.
. Enfeitiçada pela droga da ilusão, ela colocava em perigo sua segurança e a dos filhos. O pequeno, com 12 anos à época, a vigiava duas esquinas antes, embaixo de uma parada de ônibus, para que nada acontecesse à mãe enquanto ela fumava até o restolho da pedra.
Virou zumbi. Com demais zumbis da cidade, começou a furtar. Exterminava 20 pedras por dia: quinze minutos sem entorpecente eram eternos. “Depois que me atirei e que não vencia mais o vicio, cheguei a gastar R$ 3 mil em duas noites.” Crack e álcool, companheiros de solidão. Pela cidade, Tina vigiava as casas. Batia e aquelas em que ninguém respondia, arrombava. Televisão, micro-ondas, aparelhos eletrônicos surrupiados e repassados para receptadores. Recebia R$ 50 reais por um televisor 20 polegadas. Fumava o dinheiro em três horas.
“Tina, um perigo a sociedade. Rádio, jornal, promotor diziam isso. Eu me sentia um lixo, eu queria sair mas a droga não deixava. A droga tirou o sentimento, o amor que tinha pelos filhos. A droga tira tua dignidade.” Tina, um produto do crack à espreita da polícia. Fichada 34 vezes, em três conseguiu ser encarcerada. Duas vezes foi recolhida ao presídio feminino Madre Pelletier em Porto Alegre.
Habituada às ruas, arrombamentos e a degradação da pedra, Tina tinha o marido e os irmãos na sua cola. Por mais decepção que ela lhes dava, sempre voltavam para resgatá-la. Foi essa insistência que salvou Tina. Ou melhor, matou Tina e fez emergir Isabel. Pela mão da família, conheceu o caminho da clínica de recuperação: 40 dias na Central lhe ensinaram uma nova maneira de viver.
Anjo de uma asa só
Nas reuniões de mútua ajuda, os grupos de Narcóticos e Alcoolicos Anônimos precisam uns dos outros. São na filosofia da recuperação, “anjos de uma asa só”. Para voar, precisam da mão e da “asa” do amigo ao lado. Só se alça voo com o apoio do grupo. Por isso, os dependentes em recuperação frequentam as reuniões durante anos. Três vezes por semana, Isabel reencontra os companheiros, ouve a história deles e dá o testemunho de sua drogadição.
Da vida-zumbi, Isabel galga sua saída do fundo de poço. A cabeça emerge, resoluta, do precipício. O desafio é viver a cada 24 horas . A cada 1.440 minutos agradece. “Só por hoje viverei esse dia e não tentarei solucionar meus problemas de uma vez.” Até que o hoje se transforme em passado e o passado em uma década. Ela então receberá a famosa medalha preta dos Narcóticos Anônimos: a medalha dos múltiplos anos longe da droga. Isabel reza a filosofia que ajuda a vencer o vício: Só por hoje nunca mais.
Sua história de drogadição foi curta, intensa e devastadora. Uma viagem ao fundo do poço que começou aos 30 anos, quando ela já fora mãe de cinco.
. Enfeitiçada pela droga da ilusão, ela colocava em perigo sua segurança e a dos filhos. O pequeno, com 12 anos à época, a vigiava duas esquinas antes, embaixo de uma parada de ônibus, para que nada acontecesse à mãe enquanto ela fumava até o restolho da pedra.
Virou zumbi. Com demais zumbis da cidade, começou a furtar. Exterminava 20 pedras por dia: quinze minutos sem entorpecente eram eternos. “Depois que me atirei e que não vencia mais o vicio, cheguei a gastar R$ 3 mil em duas noites.” Crack e álcool, companheiros de solidão. Pela cidade, Tina vigiava as casas. Batia e aquelas em que ninguém respondia, arrombava. Televisão, micro-ondas, aparelhos eletrônicos surrupiados e repassados para receptadores. Recebia R$ 50 reais por um televisor 20 polegadas. Fumava o dinheiro em três horas.
“Tina, um perigo a sociedade. Rádio, jornal, promotor diziam isso. Eu me sentia um lixo, eu queria sair mas a droga não deixava. A droga tirou o sentimento, o amor que tinha pelos filhos. A droga tira tua dignidade.” Tina, um produto do crack à espreita da polícia. Fichada 34 vezes, em três conseguiu ser encarcerada. Duas vezes foi recolhida ao presídio feminino Madre Pelletier em Porto Alegre.
Habituada às ruas, arrombamentos e a degradação da pedra, Tina tinha o marido e os irmãos na sua cola. Por mais decepção que ela lhes dava, sempre voltavam para resgatá-la. Foi essa insistência que salvou Tina. Ou melhor, matou Tina e fez emergir Isabel. Pela mão da família, conheceu o caminho da clínica de recuperação: 40 dias na Central lhe ensinaram uma nova maneira de viver.
Anjo de uma asa só
Nas reuniões de mútua ajuda, os grupos de Narcóticos e Alcoolicos Anônimos precisam uns dos outros. São na filosofia da recuperação, “anjos de uma asa só”. Para voar, precisam da mão e da “asa” do amigo ao lado. Só se alça voo com o apoio do grupo. Por isso, os dependentes em recuperação frequentam as reuniões durante anos. Três vezes por semana, Isabel reencontra os companheiros, ouve a história deles e dá o testemunho de sua drogadição.
Da vida-zumbi, Isabel galga sua saída do fundo de poço. A cabeça emerge, resoluta, do precipício. O desafio é viver a cada 24 horas . A cada 1.440 minutos agradece. “Só por hoje viverei esse dia e não tentarei solucionar meus problemas de uma vez.” Até que o hoje se transforme em passado e o passado em uma década. Ela então receberá a famosa medalha preta dos Narcóticos Anônimos: a medalha dos múltiplos anos longe da droga. Isabel reza a filosofia que ajuda a vencer o vício: Só por hoje nunca mais.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Adote uma jornalista bipolar!
Esse vai ser um anúncio absolutamente sincero,sem a maquiagem que vem na carona das relações cibervirtuais. Estou na prateleira dos disponíves há um bom tempo. Sou jornalista e bipolar, tomo remédios para estabilizar o humor, que é caústico, corrosivo e criativo. Não se engane com meu rostinho. Tenho 40 anos e acredite, é muito duro admitir isso. Só agora, estou reconhecendo aos pouquinhos que a idade chegou até mim como o Titanic que me pegou de cheio em pleno mar da juventude.
Sempre mentia a idade nos sites, mas tá, to mudando isso. Portanto, se vocè dá bola para a idade, não mande mensagem, não mande elogios, não me fleche com o cupido virtual, não me adicione aos seus prediletos. Até porque eu dou bola para a idade. Sim, eu não quero um homem com mais de 45 anos. Veja bem, aceito mais novos, rechaço os bem mais velhos, a não ser que tenha pinta de Brad Pitt.
Não veja esse perfil de maneira arrogante, ele é só uma maneira bem-humorada de dizer as coisas que penso. Creio que vou ficar sozinha mesmo, justamente por essa alta exigência (ou baixa exigência) cronológica. Mas sabe, se não for para ser alguem atraente aos meus olhos, então aceito a solteirice com resignada prostração. Não, não me acho bela e nem tenho cacife para ser tão exigente. Mas sou, não consigo reverter meus valores românticos. Por isso que estou solteira: sou nota 6 e quero um cara nota 8. É dificil conciliar isso no mundo das vaidades, porque em termos de beleza, a equidade dita o relacionamento. As vezes a gente encontra um casal díspar, mas esses são exceção e geralmente a autoconfiança do feio compensa sua falta de simetria facial.
Quero um carinha legal, medianamente belo para mim, na faixa dos 30 a 40 anos. Acima de 1,75 e que saiba escrever medianamente bem, porque sou jornalista e presto atenção às palavras. Gosto de humor inteligente e pessoas que gostem de conversar de tudo um pouco.
Se você não se encaixa nessas características mas confia muito no seu taco, tá valendo. Eu adoro pessoas seguras de si. Não sou cheia, não sou arrogante, não sou vaidosa. Só sou sincera e espero que isso não doa nos leitores.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Um iPhone a um namorado!
Prazer, meu blog, Andreia. Venho a você com muita frequencia, posto todos os tipos de coisas e meus mais leves sentimentos. Mas há muito tempo eu não me escancaro para você como eu costumava fazer quando eu ainda te achava mais um Croissant de Emoções do que um Pitônicas.
Sabe, blog, há uns dois anos eu deixei de sentir aquele vazio crônico que fazia desfalecer a alma. Que me molestava e me amordaçava psicologicamente. Mas eu estou ciente de que eram naquelas horas que eu mais entrava dentro de mim, que eu mais refletia e ponderava sobre o ser humano. Aquela Pita ultra-carente, que expunha seus sentimentos aos quatro ventos e morria de vontade de um amor, deu lugar a uma Pita menos romântica. Árida, talvez? Sim, talvez sim. Eu cansei tanto de procurar o amor, que me cansei dele de vez. Hoje não procuro e nem ao menos quero. Estou escrevendo isso um dia após a data dos namorados, talvez por refletir nessa minha nova condição. É anti-humano não querer ninguém? Eu vejo as pessoas me cobrando: "arrume um namorado", "você é casada?", "O quêeee, ainda não casou?". Sofro do estigma de solteirona e não acho mais isso ruim. Depois que parei de buscar um namorado, me libertei daquilo que a sociedade me algema: ter um par. Sabe, blog, as vezes a gente quer ter um par para mostrar a todos que não fracassamos pela sensualidade. Que somos tão bons, a ponto de alguém nos amar. É um fracasso público, após os 30 anos, não ter alguem apaixonado pela gente. E era por isso que eu corria tanto atrás de um amor: para mostrar que também posso ser gostosa e vitoriosa nessa seara.
Mas sabe, blog. De alguma forma tudo isso mudou em mim. Talvez sejam os medicamentos que eu estou tomando por ter uma personalidade bipolar. Talvez o lítium, a carbamazepina e a sertralina tenham suprido o vazio através da química farmacêutica. Não é o certo. Eu me pego perguntando até quando isso vai durar: será que vou voltar a ser hiper-carente novamente? Será que vou voltar a querer um namorado?
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Desculpa, quero me casar COMIGO! |
Na redação, eu vejo e escuto histórias das gurias em vias de namorar, ficando ou conhecendo pessoas. Tem uma colega que adora a música do meu celular (Losing My Religion) porque lembra do seu semi-namorado. Ontem, no dia do amor, eu ouvi pessoas dialogando: "O que você ganhou ontem?" - "Ah eu ganhei isso e mais isso". Sinto-me excluída disso, uma outsider da paixão. Vivenciei-a em muitos momentos, entretanto, agora, aos 40, não consigo pegá-la. O amor para mim é como um touro xucro, nem a unha consigo laçá-lo. Eu sempre quis que com o amor eu me amasse. Talvez eu tenha comprado o preenchimento de mim mesma na farmácia. Por ora, a Eurofarma e a Roche são os meus parceiros sentimentais. Hoje, eu prefiro um iPhone do que um namorado. Talvez algum dia, eu descubra novamente que o amor é o calor que aquece a alma. Ou talvez eu compactue para sempre com Clarice Lispector:"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite". Uma solidão com Iphone nunca me completaria: a maçã está sempre mordida.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Na serena vereda dos "Matutus"
Graças ao Censo, eu incorporei esta semana um conceito que eu própria inventei (ou pode ser que não, que ele já exista e eu na minha ignorância encampei a ideia). É o contexto de "pobreza saudável". Se é que existe uma miséria bonita eu a encontrei na comunidade de Matutu, uma localidade entranhada nos recônditos de Fazenda Vilanova. As casas são de madeira, bem pobres mesmo e tudo o que é minoria excluída impera ali. Negros camponeses pouco instruídos. O computador está para os afros de Matutu assim como o Admirável Mundo Novo de Huxley está para este planeta atordoado de estresse. Mas é o seguinte: em Matutu a serenidade perdura sobre todas as coisas.
Fui ali para fazer uma matéria onde os negros se concentram e aprendi que a felicididade é a coisa mais antitecnologica do mundo. A nobreza de Dona Maria inebria. Mirrada, encurvada e louca para distribuir morangas de presente aos visitantes, a matriarca negra de 79 anos tem um índice de felicidade bem mais elevado que o meu. O contraste está nas fotos. Eu, com casaco, manta e boina pertenço ao mundo do consumismo. Ela, com indumentária singela, pertece ao mundo interior. Aquele que a leva a essência dela mesma.
Alma simples
Localidade de povo humilde, que planta para comer, os negros de Matutu não sabem a origem do nome. Há indícios de que o local seria um quilombola indígena não oficial. Mas, quem povoou aquelas bandas foram os avós de Maria.. Eles assentaram-se ali, araram a terra e dela fizeram frutificar pomares e horas. Isso foi há mais de 100 anos. Hoje, Dona Maria é a matriarca que mora sozinha em uma casinha pobre e de madeira, assim como todas as outras do lugarejo. Mas a vida ali é muito saudável e as pessoas felizes. É diferente daquela miséria lastimosa que se encontra em zonas urbanizadas. Maria, quase sem dentes, seis filhos, seis netos e dois bisnetos. Cria porcos, galinhas e adora colher morangas. Vive uma vida sem estresse e quando precisa de médico, o carro da prefeitura a recolhe para ir ao posto de saúde. A matricarca dos Matutu é viúva há 28 anos, utiliza a enxada com habilidade e não se importa com as frestas no assoalho da casa. “Eu não sinto frio.” E para comprovar que as raças se interligam, sua refeição tem a substancial polenta, comida típica dos italianos. “Tudo que é bóia é boa.”
Fui ali para fazer uma matéria onde os negros se concentram e aprendi que a felicididade é a coisa mais antitecnologica do mundo. A nobreza de Dona Maria inebria. Mirrada, encurvada e louca para distribuir morangas de presente aos visitantes, a matriarca negra de 79 anos tem um índice de felicidade bem mais elevado que o meu. O contraste está nas fotos. Eu, com casaco, manta e boina pertenço ao mundo do consumismo. Ela, com indumentária singela, pertece ao mundo interior. Aquele que a leva a essência dela mesma.
Alma simples
Localidade de povo humilde, que planta para comer, os negros de Matutu não sabem a origem do nome. Há indícios de que o local seria um quilombola indígena não oficial. Mas, quem povoou aquelas bandas foram os avós de Maria.. Eles assentaram-se ali, araram a terra e dela fizeram frutificar pomares e horas. Isso foi há mais de 100 anos. Hoje, Dona Maria é a matriarca que mora sozinha em uma casinha pobre e de madeira, assim como todas as outras do lugarejo. Mas a vida ali é muito saudável e as pessoas felizes. É diferente daquela miséria lastimosa que se encontra em zonas urbanizadas. Maria, quase sem dentes, seis filhos, seis netos e dois bisnetos. Cria porcos, galinhas e adora colher morangas. Vive uma vida sem estresse e quando precisa de médico, o carro da prefeitura a recolhe para ir ao posto de saúde. A matricarca dos Matutu é viúva há 28 anos, utiliza a enxada com habilidade e não se importa com as frestas no assoalho da casa. “Eu não sinto frio.” E para comprovar que as raças se interligam, sua refeição tem a substancial polenta, comida típica dos italianos. “Tudo que é bóia é boa.”
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Contraste: o indice de felicidade de Dona Maria é maior que o meu |
terça-feira, 7 de junho de 2011
O lado Coca Cola da vida!
E foi assim, deu prá mim. Chamei meu colega Rodrigo para carregar o pneu. Chamei a colega Susana para tirar as fotos. Depois veio o fotógrafo Frederico para reforçar a imagem visual. Tudo por conta de viver um slongan criativo para a Fruki. Na frente do jornal O Informativo, pagamos mico, subimos em cima de uma moto que eu nem sei quem é o dono para testarmos um flerte ilustrativo, a fim de fazer bonito no comercial que valeria uma máquina fotográfica. Foi mal. Não fomos os melhores. Alguém nos ganhou. Adeus máquina, hello Coca Zero. Volto para o efeito "cocamentos", para a multinacional que não se importa com o terceiro vale mais fértil do mundo. Retorno para o lado capitalista, símbolo do pós-guerra americano. Eu entrei no "American Way of Life" ainda nos anos 80, quando surge a Diet Coke e a New Coke, que foi logo tirada do mercado porque os consumidores não a aprovaram. E quando Renato Russo estufava o peito para cantar: "Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês nos empurraram com os enlatados dos U.S.A., de nove as seis", eu repetia o refrão: "Geração Coca Colaaaaaaaaaaa". Então, é isso aí né gente. Lembram do slogan? "Coca Cola é isso aí". Pois é, apesar de lendas e polêmicas de que a cola provoca danos a saúde, eu curto. E eu acho minha mãe essa coca-cola toda. E eu acho o David Beckham a última coca cola do deserto. E eu acho que se não tiver Coca, pode ser Fruki. O nosso guaraná é o melhor de todos:"Eu tenho razões para acreditar." Pena que o meu lado Coca Cola da Vida prepondera sobre meu lado guaraná. De qualquer forma "Viva positivamente" com qualquer dos dois refrigerantes. "Viva o que é bom" prá você. É isso aí.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
A subvida na Praça da Matriz
Quando chega dezembro, a Praça da Matriz recebe decoração natalina e eventos que enaltecem a solidariedade do período. Os mendigos então são retirados para não denegrir a cena, as luzes e o espírito da época. São tocados embora pelos passantes. Em algumas ocasiões, as assistentes sociais tentam dissuadi-los de morar no coreto. Recomendam outro local menos evidente, nada que estrague um dos cartões-postais da cidade. Casais que perambulam pelos becos juntos, preferem o açoite do frio da rua do que a separação geográfica. Eles também amam e talvez este seja o sentimento que os mantém vivos, apesar da vida errante.
É a subvida urbana, escancarada no coração da cidade, uma sinopse moderna de pessoas afogadas com a corda da discriminação. Eles não têm voz, porque são bêbados e drogados. Subverteram a vida deslizando para o precipício. E por transgrediram regras éticas e morais, estão jogados no depósito da sociedade. Muita gente os chama de “vagabundos”. Poucos sabem a história por trás da miséria.
A queda de Rafael
Rafael tem 30 anos e está num estado deplorável. Casaco sujo, faltam-lhe dois dentes e tudo que tem cabe num saco plástico. Há dois anos ele e a companheira, Gislene moram na rua. Rafael não quer ser internado sem a companhia da esposa. Da mesma forma, não quer ir para abrigos para dormir longe de Gislene. Eles decidiram afundarem-se juntos porque não há um abrigo para casais. Quando estava no auge da profissão de vendedor, recebia R$ 4 mil mensais de comissão. Mas o vício lhe surrupiou as oportunidades. O filho foi a vítima que foi dada para a adoção e Gislene é a parceira que lhe ajuda a catar comida nas latas de lixo. A sociedade é a mão que não salva. Só julga, discrimina e rebaixa. “Eles pedem para a gente sair da praça. Prá deixar o lugar limpo e bonito. Eles querem é trocar o lixo de lugar.”
Ajuda de fariseu
Altair Gaspar mora há 30 anos na rua, desde a adolescência é alcoolatra. Palavras dele: "o preconceito é pior que a ajuda. A ajuda deles é a ajuda de fariseu. Não é uma moeda que vai resolver o problema. A gente quer atenção. Falta dignidade. A gente não é bicho."
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Altair chorava ao dar a entrevista:"a gente quer atenção" |
Altair foi assaltante e durante 20 anos cumpriu pena. Em 2007, saiu da jaula para receber o sol. Seria um recomeço. Mas não foi. Ele não quer mais furtar, roubar ou transgredir porque não suportaria enfrentar o cárcere novamente. Assim, partiu para a esmola. São poucos os que realmente lhe estendem a mão: R$ 1 mil reais não redimiriam Altair. Na imundície do coreto da praça, o poema de Manoel Bandeira deveria estar exposto em letras garrafais: “O bicho não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem”
sábado, 4 de junho de 2011
Dia de Milha
Acordo com a aragem que prenúncia que o inverno está próximo. Mas o sol lá fora indica que o sábado será ameno, como todos os sábados têm de ser: aconchegantes, sem estresse, o dia da pipoca e das comédias românticas. Mas hoje, sem perceber, minha filha cumpre um ritual de passagem: ela faz 12 anos, biologicamente ingressa na adolescência. É aniversário e temos traçado o nosso programa: um Dia de Milha - dia de mãe e filha - um trato nosso que fizemos há uns três anos. Algo assim como um tempo só nosso dedicado aos nossos "eus" maternais e filiais.
Saímos de manhã para cumprir o acordo do Dia de Milha: pouco dinheiro no bolso, muita vontade de comprar tudo, mil ideias na cabeça e uma câmera na mão. Escolhemos dois filmes, compramos pipoca e refrigerante para dar vazão a nossa simbiose sabática. O dinheiro foi escasso, mas o programa muito rico. O Dia de Milha me redime dos dias de semanas que não almoço com ela, dá amparo e respaldo a uma educação que não vai fazê-la cair na sedução de uma vida louca regada a estimulos sensoriais e fugazes das drogas ou do ficar obsessivo para se autoafirmar. O Dia de Milha é baratinho, mas este, nem a Gol oferece porque a viagem é muito mais profícua do que aquela feita à Grécia sozinha.
O Dia de Milha à meia tarde teve a presença da Dinda Rê, um palmo mais baixa do que a afilhada (o que a deixa louca), a fã sacramentada do Fábio Junior teve de ouvir Seminovos e se esforçar para compreender a novíssima linguagem da geração Z. Fomos ao shopping e o presente da dinda chegou em forma de cultura. Nanna ganhou um livro (registre-se em ata que foi ela quem pediu para ganhar um livro) e ouviu histórias da época em que Renata era chamada de Rapousa, inclusive uma reflexão sobre o uso e o gosto da maconha. Não é muito nova para essa abordagem atrevida? Não, não é. Adolescente guarnecido melhora o discernimento do que deve ou não fazer para si e para sua vida. E assim acaba o Dia de Milha: com três gurias rindo e uma garotinha que caminha para se entrosar no Universo: este local de um só verso que contém toda a poesia do mundo.
Saímos de manhã para cumprir o acordo do Dia de Milha: pouco dinheiro no bolso, muita vontade de comprar tudo, mil ideias na cabeça e uma câmera na mão. Escolhemos dois filmes, compramos pipoca e refrigerante para dar vazão a nossa simbiose sabática. O dinheiro foi escasso, mas o programa muito rico. O Dia de Milha me redime dos dias de semanas que não almoço com ela, dá amparo e respaldo a uma educação que não vai fazê-la cair na sedução de uma vida louca regada a estimulos sensoriais e fugazes das drogas ou do ficar obsessivo para se autoafirmar. O Dia de Milha é baratinho, mas este, nem a Gol oferece porque a viagem é muito mais profícua do que aquela feita à Grécia sozinha.
O Dia de Milha à meia tarde teve a presença da Dinda Rê, um palmo mais baixa do que a afilhada (o que a deixa louca), a fã sacramentada do Fábio Junior teve de ouvir Seminovos e se esforçar para compreender a novíssima linguagem da geração Z. Fomos ao shopping e o presente da dinda chegou em forma de cultura. Nanna ganhou um livro (registre-se em ata que foi ela quem pediu para ganhar um livro) e ouviu histórias da época em que Renata era chamada de Rapousa, inclusive uma reflexão sobre o uso e o gosto da maconha. Não é muito nova para essa abordagem atrevida? Não, não é. Adolescente guarnecido melhora o discernimento do que deve ou não fazer para si e para sua vida. E assim acaba o Dia de Milha: com três gurias rindo e uma garotinha que caminha para se entrosar no Universo: este local de um só verso que contém toda a poesia do mundo.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
O saber secreto dos maçons do Vale do Taquari

Na região, empresários, engenheiros, dentistas, contadores, professores, médicos e profissionais de todas as formações participam da fraternidade e mergulham no “saber secreto”. Um saber que aguça a curiosidade do universo profano (os não iniciados).
Envoltos em um manto de discrição, maçons da região se mantêm ao largo dos holofotes. Eles podem ser profissionais proeminentes, mas quando o tema envolve a ordem, a resposta é silente. “É constrangedor falar de algo que eu jurei silenciar”, enfatiza um mestre maçom. Na região existem pelo menos cinco lojas maçônicas: três em Lajeado, uma em Cruzeiro do Sul e uma em Estrela. O venerável mestre (aquele que preside a loja) do templo de Cruzeiro do Sul é um homem conhecido na área da saúde.
“Nós vamos ao templo para estudar. Fazemos o estudo do pensamento, mas recheado de simbolismos.” Eis o que desperta tanto fascínio. Entrar num templo maçônico é mergulhar em um espaço codificado. Nas paredes há 12 colunas, uma corda com 81 nós e outros signos, como as pedras bruta e polida, que representam os momentos pré e pós-iniciação. O templo maçônico é estruturado à maneira do universo. No teto há sol, lua, estrelas e as configurações dos planetas. O chão é formado por quadrados branco e pretos, representando a dualidade do universo. Assim, o maçom, ao pisar no templo, esmaga o preconceito e demonstra a comunhão entre brancos e negros e o respeito à diversidade.
Durante as cerimônias, os homens vestem aventais, que são símbolo do trabalho e para demonstrar a sua evolução na ordem. Referem-se a Deus como Grande Arquiteto do Universo, mas um Deus tratado dentro dos valores de tolerância religiosa. Por isso um maçom pode ser judeu, católico, muçulmano. Nas sessões, Deus tem um nome específico. O que não pode é ser ateu. Cada homem tem que acreditar no seu ser divino.
O segredo maçônico
Os maçons são objeto de curiosidade mundial. E muitas vezes se divertem com as teorias e conchavos com os quais supostamente teriam ligação. Boatos, apenas. É tanta coisa especulada pela internet, nos livros e filmes que eles já desistiram de contestar. “Eu juro que eu não conto nada do que acontece na loja. Esse juramento cria curiosidade extrema. Imagine um prédio fechado que não tem janela. A vizinhança enlouquece e pensa: ‘o que esses caras fazem ali?’”, comenta o mestre maçom. Estudam.
O segredo da maçonaria já foi revelado por irmãos que saíram da ordem e publicaram livros. Mas conforme o entrevistado, as obras não descrevem com perfeição os fatos sigilosos. A conclusão às quais muitos estudiosos chegaram é que o segredo da ordem reside justamente em não ter segredo. Existem sim toques, sinais e palavras que servem de identificação do maçom e que só a eles pertencem. O resto é imaginação criada por pessoas de fora dessa associação.
Os maçons são objeto de curiosidade mundial. E muitas vezes se divertem com as teorias e conchavos com os quais supostamente teriam ligação. Boatos, apenas. É tanta coisa especulada pela internet, nos livros e filmes que eles já desistiram de contestar. “Eu juro que eu não conto nada do que acontece na loja. Esse juramento cria curiosidade extrema. Imagine um prédio fechado que não tem janela. A vizinhança enlouquece e pensa: ‘o que esses caras fazem ali?’”, comenta o mestre maçom. Estudam.
O segredo da maçonaria já foi revelado por irmãos que saíram da ordem e publicaram livros. Mas conforme o entrevistado, as obras não descrevem com perfeição os fatos sigilosos. A conclusão às quais muitos estudiosos chegaram é que o segredo da ordem reside justamente em não ter segredo. Existem sim toques, sinais e palavras que servem de identificação do maçom e que só a eles pertencem. O resto é imaginação criada por pessoas de fora dessa associação.
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